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Itamaraty diz que "nada mudou" no apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE

Bolsonaro entrega camisa da seleção brasileira a Donald Trump - Getty Images
Bolsonaro entrega camisa da seleção brasileira a Donald Trump Imagem: Getty Images
do UOL

Do UOL, em São Paulo

10/10/2019 18h56

O Itamaraty, órgão responsável pelo assessoramento do presidente da República na relação diplomática com outros países, informou na noite de hoje que "nada mudou" no apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE, organização internacional com 36 países e que tem o objetivo de coordenar políticas econômicas entre eles.

"Os EUA continuam apoiando plenamente o ingresso do Brasil na OCDE. Há uma interpretação totalmente equivocada da indicação americana sobre Argentina e Romênia. Nada mudou no apoio americano ao Brasil. A questão é que ainda não há um segundo candidato europeu com apoio americano que possa começar o processo junto com o Brasil, para manter a paridade entre novos membros europeus e não-europeus", disse o Itamaraty em posicionamento enviado ao UOL.

"A Argentina já tinha o apoio americano antes de nós, não temos problema nenhum com essa posição de que a Argentina comece o processo junto com a Romênia. Continuamos nos preparando para ingressar. Não há um tempo definido para a duração do processo de adesão. O Brasil pode começar o processo um pouco depois e terminar antes, pois temos já um ótimo nível de preparação e incorporação das normas.", completou o Itamaraty.

Hoje mais cedo, o governo dos Estados Unidos recusou a solicitação do Brasil para fazer parte da organização. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg.

Segundo a publicação, o secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, rejeitou um pedido para discutir o aumento do clube dos países mais ricos. A informação foi obtida a partir da cópia de uma carta enviada ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, em 28 de agosto. Ele acrescentou que Washington apenas apoiou as ofertas de membros da Argentina e da Romênia.

A mensagem contradiz a postura pública adotada pelos Estados Unidos sobre a questão. Em março, o presidente Donald Trump declarou, em conferência com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), na Casa Branca, que ele apoiaria o Brasil na tentativa de entrar no grupo de 36 países.

Em julho, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reiterou o apoio de Washington ao Brasil, que apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017.

"Decisão é política"

O alemão Ludger Schuknecht, um dos vice-secretários-gerais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), disse hoje em São Paulo que os EUA não mudaram a posição de apoio à entrada do país na entidade, mas lembrou que a decisão sobre o ingresso de novos membros é "política".

"Os EUA tomaram a posição de apoiar a entrada do Brasil na OCDE, e não tenho evidências sobre uma mudança nesta posição", afirmou Schuknecht no Fórum de Investimentos Brasil, evento promovido pelo governo brasileiro.

Segundo o dirigente da OCDE, o timing da entrada de novos membros "é uma decisão política", que depende da decisão dos Estados-membros. Hoje, são 36 países.

De acordo com Schuknecht, além do Brasil, outros cinco países já pediram para entrar na OCDE: Argentina, Peru, Romênia, Bulgária, Croácia. Colômbia e Costa Rica estão perto da conclusão de seu ingresso.

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