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Araújo vê defesa dos EUA ao Brasil na OCDE: "nenhum tipo de falta de apoio"

10/10/2019 21h18

São Paulo, 10 out (EFE).- Após o apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ser colocado em xeque nesta quinta-feira, o chanceler Ernesto Araújo negou que o processo de adesão ao bloco não tenha mais o respaldo do governo de Donald Trump e disse esperar que o país receba um convite em 2020.

Segundo uma carta enviada em agosto pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, e à qual teve acesso a agência "Bloomberg", o governo americano não só não mencionou apoio à entrada do Brasil, como defendeu o ingresso de Argentina e Romênia naquele que também é conhecido como o "clube dos países mais ricos".

"Os Estados Unidos continuam apoiando o Brasil muito fortemente. Simplesmente é uma questão da sequência dos membros. O processo começaria pela Argentina e pela Romênia, coisa que nós já sabíamos, porque são países que já tinham o apoio anteriormente", afirmou Araújo à Agência Efe durante um fórum de investimentos realizado em São Paulo.

"Isso (a carta) não significa nada, nenhum tipo de falta de apoio, exatamente o contrário. O Brasil está pronto para começar, e o processo de adesão não tem um período determinado, por isso o Brasil pode começar o processo um pouco depois e terminar antes", acrescentou.

Perguntado sobre se seria possível que o Brasil seja formalmente convidado para a OCDE no ano que vem, Araújo respondeu: "espero que sim, espero que sim".

Um representante do alto escalão do governo americano disse à Efe em Washington que os EUA apoiam a ampliação do número de países-membros da OCDE e "um eventual convite ao Brasil", mas reconheceu que o país "trabalha primeiro com a Argentina e a Romênia".

A decisão dos EUA de deixarem o Brasil em segundo plano pode afetar os planos do governo do presidente Jair Bolsonaro, que esperava a entrada do país na OCDE "em dois ou três anos".

Trump manifestou apoio à adesão do Brasil em março, durante reunião com Bolsonaro em Washington. O pedido formal do governo brasileiro para ingressar na OCDE foi feito em 2017, durante o mandato de Michel Temer na presidência.

Para conseguir o apoio americano, Bolsonaro se comprometeu a renunciar ao tratamento especial que o Brasil tem nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) pela condição de país em desenvolvimento. Além disso, concedeu aos EUA a exploração da base espacial de Alcântara, no Maranhão, e autorizou a isenção de vistos para turistas americanos, sem exigir reciprocidade. EFE

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