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Trump prevê que batalha do impeachment terminará na Suprema Corte

09/10/2019 21h45

Lucía Leal.

Washington, 9 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu nesta quarta-feira que o processo de impeachment aberto pela Câmara de Representantes contra ele, considerado pela Casa Branca como "ilegítimo", terminará na Suprema Corte.

Um dia depois de informar em carta que não cooperará com a investigação feita pela oposição democrata sobre a pressão exercida pela Casa Branca sobre a Ucrânia para a abertura de inquéritos contra o ex-vice-presidente Joe Biden, Trump admitiu que pode recorrer à Justiça para evitar a sequência do processo no Congresso.

"Ontem escrevemos uma carta e provavelmente isso acabará como um caso da Suprema Corte. Pode ser que dure muito tempo, mas os democratas trataram o Partido Republicano muito mal", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.

Perguntado se alguma circunstância o faria cooperar com a investigação, Trump afirmou que primeiro é preciso que a oposição democrata atenda aos pedidos feitos por seus advogados na carta enviada ontem às principais lideranças do Congresso.

Os advogados da Casa Branca questionam que a abertura do processo não foi votada no plenário da Câmara de Representantes e que isso privou a minoria republicana da possibilidade de chamar testemunhas ou interrogar as pessoas convocadas pelos democratas.

No entanto, não está claro se a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, tem a obrigação constitucional de atender às garantias exigidas por Trump antes do início do impeachment.

Enquanto a batalha com os congressistas democratas continua, a campanha à reeleição de Trump estreou hoje um anúncio no qual repete as acusações contra Biden. O presidente afirma que, enquanto era vice-presidente, o pré-candidato democrata exigiu a demissão do procurador-geral da Ucrânia para evitar uma investigação contra a empresa de gás natural na qual seu filho, Hunter Biden, trabalhava.

A propaganda está sendo exibida em emissoras de estados-chave para as eleições presidenciais de 2020.

Trump ainda elevou o tom dos ataques contra o delator anônimo que denunciou a polêmica ligação entre ele e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski. Para o republicano, a identidade do informante deveria ser revelada.

"Não sei porque uma pessoa que fraudou o povo americano deveria ser protegida", afirmou Trump, apesar de haver uma lei que garante o direito dos delatores.

Segundo especialistas em Direito Constitucional, a carta enviada ontem pela Casa Branca pode dar munição aos opositores no processo de impeachment. O documento pode ser encarado como uma prova de que Trump está obstruindo o trabalho de outro poder, o Congresso.

"Isso é uma crise constitucional. Estamos há quase três anos nos questionamos se chegaríamos a esse ponto e aqui estamos, vendo como um presidente ignora a autoridade constitucional do Congresso para conduzir uma investigação de impeachment", disse a professora de Direito da Universidade de Loyola, Jessica Levinson, ao site "Vox". EFE

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