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Johnson pressiona parlamento a convocar reunião decisiva sobre o Brexit

09/10/2019 15h37

Judith Mora.

Londres, 9 out (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, quer convocar uma reunião extraordinária da Câmara dos Comuns no próximo dia 19 de outubro para decidir os rumos do Brexit.

Fontes do governo britânico disseram hoje que Johnson quer propor aos deputados um acordo de saída da União Europeia (UE) negociado de última hora, algo improvável a essa altura das negociações, ou outras opções para o processo, como um divórcio sem pacto ou o cancelamento do Brexit.

Os parlamentares precisam aprovar a convocação dessa sessão extraordinária, que ocorreria logo depois da próxima reunião do Conselho Europeu, marcada para ocorrer entre as próximas quinta e sexta-feira. No entanto, não deve haver oposição.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corby, afirmou hoje que, se não houver acordo, utilizaria a sessão para obrigar Johnson a pedir um novo adiamento da data de saída da UE, atualmente marcada para ocorrer no dia 31 de outubro, como exige a lei.

Há também a hipótese de a oposição apresentar e ganhar uma moção de censura contra Johnson. Caso isso ocorra, Corbyn disse estar disposto a liderar um governo interino cuja a missão seria prevenir um Brexit sem acordo e convocar eleições gerais.

Johnson afirma até o momento que o Reino Unido sairá do bloco europeu na data prevista, com ou sem acordo, apesar da chamada "Lei Benn" o obrigar pedir uma prorrogação do prazo à UE se não houver um pacto aprovado pela Câmara dos Comuns até 19 de outubro.

O primeiro-ministro prometeu não desrespeitar a lei, mas disse que prefere morrer a pedir um adiamento da saída.

O caso já foi parar na Justiça. A Corte de Sessões de Edimburgo decidiu hoje adiar até o dia 21 de outubro a decisão sobre a possibilidade de forçar Johnson a pedir a prorrogação ou inclusive pedi-la em nome do governo caso o premiê se recuse a fazê-lo.

Apesar de um acordo entre as partes ser quase impossível dentro do prazo, representantes do Reino Unido, da Irlanda e da UE mantêm as negociações às vésperas da cúpula europeia marcada para a próxima semana.

Amanhã, o ministro para o Brexit do Reino Unido, Steve Barclay, será recebido em Bruxelas pelo negociador-chefe da UE, Michael Barnier. Já Johnson viaja até Dublin para se reunir com o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar.

Em discurso no parlamento europeu, Barnier reconheceu que as partes já não estão "em posição de conseguir o acordo". Já Varadkar afirmou que vê "grande dificuldade" na proposta de Johnson para substituir o polêmico mecanismo de salvaguarda para impedir a criação de uma fronteira física entre as duas Irlandas, o principal empecilho para a aprovação de um tratado de saída do bloco europeu.

A proposta de Johnson, também recusada pela UE, prevê manter a Irlanda do Norte parcialmente alinhada com as regras da Irlanda e do mercado único europeu, mas fora da união aduaneira comunitária, o que obrigaria a criação de controles.

Outro ponto conflituoso é o que dá ao parlamento autônomo norte-irlandês, suspenso desde 2017 por divergências entre os partidos, poder de veto sobre o regime que é aplicado aos britânicos.

Fontes do governo de Johnson disseram ontem que, após uma conversa com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, é "essencialmente impossível chegar a um acordo" e antecipam a ruptura das negociações.

A referência a Merkel fez o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, criticar Johnson e acusá-lo de tentar culpar os demais pela falta de resultados. EFE

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