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Homem que prendeu Che Guevara pode ser homenageado com dia próprio nos EUA

09/10/2019 22h01

Miami, 9 out (EFE).- O cubano-americano Félix Rodríguez, o agente da CIA que dirigiu a operação na Bolívia para capturar Ernesto Che Guevara, mas que culminou na sua execução há exatamente 52 anos, disse à Agencia Efe que, embora sua missão fosse salvar a vida do guerrilheiro, seu justiçamento foi o melhor que poderia ter acontecido.

A Efe falou com o agente aposentado da CIA, que tem 78 anos e vive em Miami, para conhecer sua opinião sobre a proposta do vereador Esteban Bovo e dos Jovens Republicanos de Miami, presididos por Armando Ibarra, para que 9 de outubro seja transformado no "Dia de Félix Rodríguez" no condado de Miami-Dade.

O agente considerou que seria uma honra ser homenageado com esse dia porque considera a data como histórica.

"Foi o dia que se justiçou a uma pessoa que é responsável de milhares de assassinatos na fortaleza La Cabaña, onde muitas mães foram pedir clemência para seus filhos e não encontraram", afirmou, em referência aos fuzilamentos de 1959, logo depois do triunfo da revolução liderada por Fidel Castro.

Quando perguntado acerca do que lhe vem à cabeça sobre aquele dia de 1967, respondeu: "a manhã em que aterrissei e o vi atado de pés e mãos. Minha missão era salvar sua vida, a pedido do governo dos Estados Unidos".

O agente aposentado explicou que, para os EUA, era muito importante manter Che vivo e que matá-lo foi uma decisão do então presidente boliviano, o general René Barrientos.

Agora, Rodríguez pensa que sua execução foi o melhor que poderia ter acontecido: Se o tivessem soltado, possivelmente ele teria ido a outro lugar e derramado muito mais sangue".

"Era uma decisão dos bolivianos e eu deixei que a História seguisse seu curso", revelou Rodríguez.

O cubano-americano se diz surpreso, mas grato, pela proposta de Bovo e os Jovens Republicanos de Miami, que o definiram como uma lenda viva.

Em um comunicado, os Jovens Republicanos afirmaram que Félix Ismael Rodríguez dedicou sua vida a estender a liberdade e a democracia pelo mundo.

Segundo a nota, foi graças a Rodríguez que o "assassino comunista" Ernesto Che Guevara foi justiçado no dia 9 de outubro de 1967, ano em que, "com apoio do ditador Fidel Castro, estava trabalhando ativamente para exportar o marxismo, a violência e a tirania ao resto do mundo".

O currículo de Rodríguez inclui, além da captura de Che, a participação na Invasão da Baia dos Porcos, uma operação fracassada de cubanos exilados e apoiados pelos EUA para tomar o poder em Cuba, e ter combatido na guerra do Vietnã.

Em uma mensagem no Twitter, o vereador Bovo escreveu que a História não vai absolver um monstruoso assassino e que uma maneira de fazer com que seu legado de brutalidade não seja esquecido é celebrar 9 de outubro como o dia do homem que fez com que "Che" tivesse que responder à justiça.

Nos últimos meses, a figura de Che Guevara foi motivo de polêmica nos Estados Unidos.

Na semana passada, dois senadores americanos, Marco Rubio e Rick Scott, criticaram o uso de recursos públicos em duas exposições universitárias que exibem retratos do líder revolucionário argentino.

Rubio afirmou que o Che foi um guerrilheiro que protagonizou um papel sádico na revolução cubana, que, segundo o senador, incluiu a criação do primeiro campo de concentração de Cuba.

Em uma carta enviada ao National Endowment of the Arts, a agência do governo americano de fomento às Artes, os dois senadores mostraram preocupação com o financiamento da mostra "Pop América 1965-1975".

"Aqueles que optam por louvar ao Che ignoram fundamentalmente o papel de Guevara no assassinato de civis inocentes durante a revolução cubana, assim como o daquelas pessoas que tiveram suas garantias processuais negadas", disseram.

Antes do envio da carta, uma livraria de Coral Gables (Miami-Dade) foi criticada por colocar livros sobre o Che Guevara como obras de referência em uma cidade como Miami, onde abundam exilados cubanos. EFE

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