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Extrema-esquerda de Portugal está aberta a trabalhar com novo governo socialista minoritário

09/10/2019 20h05

Por Sergio Goncalves e Catarina Demony

LISBOA (Reuters) - Os partidos de extrema-esquerda de Portugal disseram, nesta quarta-feira, que estão dispostos a trabalhar com um novo governo socialista minoritário, com os comunistas abertos a cooperarem caso a caso e o bloco de esquerda favorável a um acordo de longo prazo.

O primeiro-ministro socialista interino, António Costa, venceu as eleições gerais no domingo, estando próximo de alcançar a maioria absoluta, o que o levou a abrir negociações com os aliados de extrema-esquerda que os apoiaram nos últimos quatro anos.

Costa, que detém pelo menos 106 cadeiras socialistas em um Parlamento de 230 vagas, precisa do apoio de apenas um dos seus parceiros anteriores para aprovar leis.

Uma possível renovação do acordo de 2015 foi discutida durante as reuniões desta quarta-feira, mas os comunistas disseram não haver necessidade de um acordo por escrito, como aconteceu em 2015. Eles disseram que estavam dispostos a fazer uma avaliação conjunta de diferentes medidas, incluindo o Orçamento estatal para 2020.

O Bloco de Esquerda prefere um acordo político por escrito, disse a líder do partido, Catarina Martins a repórteres depois de se reunir com Costa. "(Mas) não fechamos a porta para aprovações de medida caso a caso, se isso não for possível."

Ambos os partidos se reunirão novamente "nos próximos dias", disse Costa.

"O que é mais importante é... confirmar que há condições para que o governo possa... ter condições para iniciar a governação, e que há condições políticas --com acordo ou sem acordo (escrito)-- para haver expectativas de estabilidade para o horizonte da Legislatura", disse Costa aos jornalistas.

Costa também não excluiu as negociações com outros partidos. Ele se encontrou com os Verdes, o partido ambientalista Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e o partido de esquerda Livre. O PAN disse que se reuniria novamente com os socialistas na próxima semana.

(Por Sergio Goncalves e Catarina Demoly)

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