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PM que mentiu em Caso Marielle matou ao menos 2 pessoas a mando de milícia

31.mai.2019 - Rodrigo Jorge Ferreira, vulgo Ferreirinha, preso durante a Operação Entourage - ARMANDO PAIVA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
31.mai.2019 - Rodrigo Jorge Ferreira, vulgo Ferreirinha, preso durante a Operação Entourage Imagem: ARMANDO PAIVA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
do UOL

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

22/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Relato foi feito em mensagens enviadas para a sua advogada
  • PF concluiu que PM e advogada atrapalharam investigações do caso Marielle
  • Ferreirinha apontou antigo chefe como mandante do atentado
  • PM teria matado um outro policial e um colega de milícia

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, que admitiu ter prestado falso testemunho sobre os mandantes da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), disse em mensagens de celular ter cometido ao menos dois homicídios quando integrava a milícia comandada por Orlando Curicica.

A informação consta no relatório final da PF (Polícia Federal) que concluiu que o PM e sua advogada atrapalharam as investigações do duplo atentado que vitimou Marielle e seu motorista Anderson Gomes.

Quando mentiu à DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio), Ferreirinha, como é conhecido o PM, apontou o antigo chefe como mandante do atentado que vitimou Marielle e o motorista Anderson Gomes. Ele disse que temia ser morto por Curicica.

As mensagens de Ferreirinha foram enviadas para sua então advogada Camila Lima Nogueira, também acusada de tentar fraudar as investigações do Caso Marielle.

Um dos assassinatos cometidos por Ferreirinha foi o de um policial militar identificado apenas como Couto, em data não revelada pelas mensagens. Ele estava acompanhado pelo próprio Curicica e o policial militar Rodrigo Severo Gonçalves, também membro da milícia.

Couto foi assassinado em um restaurante de Jacarepaguá. Ferreirinha afirmou que foi o primeiro a atirar na vítima, com um tiro na cabeça. Logo depois, os comparsas efetuaram os outros disparos.

O segundo homicídio que Ferreirinha teria admitido ter participado seria o do próprio companheiro de milícia citado acima, Rodrigo Severo Gonçalves.

O crime aconteceu em um sítio de Curicica em Guapimirim. na Baixada Fluminense, em fevereiro do ano passado. Naquela ocasião o primeiro a ser morto foi o PM José Ricardo Silva, também integrante da milícia.

Curicica estava desconfiado de que Severo e Ricardo o traíam em questões de negócios.

Ricardo foi o primeiro a ser morto, após receber vários tiros no rosto disparados por Curicica. Em seguida, Severo tentou fugir e foi alvejado na perna por Ferreirinha. A vítima caiu e outro miliciano, de nome Alan, terminou o homicídio, efetuando outros disparos.

Em depoimento à PF, Ferreirinha afirmou que Ricardo e ele levavam dinheiro de propina a policiais da DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio). O miliciano foi preso no último dia 31 de maio em operação da Polícia Civil do Rio.

A PF enviou as informações sobre as mortes dos PMs relatadas por Ferreirinha para a Polícia Civil do Rio. Ferreirinha ainda não tem advogado para responder a essas investigações. No primeiro semestre deste ano, então advogada dele, Camila Nogueira, confirmou o teor das mensagens sobre o assassinato.

Em entrevista ao UOL em maio, a advogada alegou inocência das acusações de obstrução ao Caso Marielle.

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