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Alta da gasolina e do diesel já pode chegar aos postos hoje, diz entidade

do UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/09/2019 13h36

Resumo da notícia

  • Gasolina e diesel podem ficar mais caros nas bombas a partir de hoje, segundo entidade que representa postos em SP
  • O reajuste é consequência do aumento de 4,2% no preço do diesel e de 3,5% no da gasolina, anunciado pela Petrobras
  • O preço do petróleo no mercado internacional subiu após um ataque às instalações de uma petroleira da Arábia Saudita
  • Não é possível determinar qual será o aumento para o consumidor final porque o mercado é livre
  • Distribuidoras e postos podem repassar o reajuste quando quiserem, e na medida que desejarem
  • Líder dos caminhoneiros descarta paralisação da categoria

O aumento no preço dos combustíveis, anunciado na noite de ontem pela Petrobras, pode chegar aos postos de gasolina hoje mesmo, segundo entidades do setor.

A estatal subiu em 4,2% o preço médio do diesel nas refinarias e em 3,5% o da gasolina, após ataques a instalações de uma petroleira da Arábia Saudita levarem ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional.

Como o mercado é livre, os preços já podem ser alterados na bomba, mas cada posto e distribuidora é livre para decidir quando fará o reajuste e em que medida.

Todas as distribuidoras começaram a faturar no valor novo a partir da meia-noite de hoje. Então elas já repassam na hora
José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro-SP

"Não é possível saber exatamente quanto [vai subir] porque as distribuidoras são livres para repassar aos postos o mesmo aumento, um valor superior ou um inferior", disse José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo).

O mesmo vale para os postos de combustíveis. "Se um posto está com estoque zerado e recebe a partir de hoje, ou ele repassa ou tem prejuízo", afirmou Gouveia. Ele disse que será necessário esperar alguns dias para saber qual foi o efeito do aumento feito pela Petrobras para o bolso do motorista.

A associação de distribuidoras também ressaltou que o mercado de combustíveis é livre e que quem define o preço na bomba para o consumidor final são os postos revendedores.

Segundo a Plural (Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência), o preço final envolve outros fatores, além do valor de venda determinado pelas refinarias, como impostos, logística e remuneração de distribuidores e revendedores.

"Vale destacar que duas dessas variáveis —custo do produto e tributos— são responsáveis por mais de 80% do preço final", afirmou em nota enviada ao UOL.

Líder de caminhoneiros descarta greve

O aumento do diesel afeta diretamente os caminhoneiros, categoria com forte poder de pressionar o governo com a ameaça de uma nova greve.

Wanderlei Alves, o Dedéco, uma das lideranças da greve geral do ano passado, disse que os caminhoneiros não devem organizar nenhuma paralisação em razão do aumento porque entendem que não podem combater um fator internacional.

"Eles [a Petrobras] explicaram que é por causa do ataque na Arábia Saudita. Então o que vamos fazer, se o combustível no mundo inteiro está aumentando por causa disso?", disse. "Não vejo possibilidade de greve. Não tem por que bagunçar o mercado brasileiro."

Ele sugere que os motoristas pesquisem quais postos têm diesel em estoque e, por isso, conseguirão segurar o aumento.

O UOL também não viu repercussão ou boatos de greve em grupos no WhatsApp de caminhoneiros. Também procurou a Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), mas elas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Os caminhoneiros são uma categoria pulverizada, com muitos motoristas autônomos e diversas entidades, o que limita a representatividade de cada uma.

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