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Zaidan - Copa do Brasil: empate é do Athletico, Beira-Rio é trunfo do Inter

Paolo Guerrero, durante partida entre Internacional e Nacional - REUTERS/Andres Stapff
Paolo Guerrero, durante partida entre Internacional e Nacional Imagem: REUTERS/Andres Stapff
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

do UOL

18/09/2019 04h00

Ainda no gramado da Arena da Baixada, logo depois da vitória do Athletico Paranaense, no primeiro jogo da final, Guerrero, em tom de desafio, lembrou que as coisas seriam resolvidas em Porto Alegre. A frase do centroavante do Internacional pareceu mera platitude, mas é fato que, nesta temporada, tem sido pedreira enfrentar o Inter no Gigante da Beira-Rio. Ali, às margens do Guaíba, quase sempre o time de Hellmann consegue fazer seu melhor. Contra o Flamengo, pela Libertadores, não foi suficiente: o Inter marcou o gol, mas teve de continuar se expondo, pois havia perdido no Rio por 2 a 0. O empate em Porto Alegre levou o Flamengo para as semifinais.

Agora, na decisão da Copa do Brasil, é o Athletico que tem o empate a seu favor. Mas a vitória em Curitiba foi só por 1 a 0; assim, se o Inter marcar primeiro, é certo que seguirá atacando, mas com a cautela a que não teve direito na partida contra o Flamengo. Tiago Nunes, por sua vez, dificilmente cometerá o erro de apostar em uma retranca; seria contrariar o modo de jogar que levou seu time à final.

O Athletico toca bem a bola, tem bom meio-campo (principalmente pelo talento de Bruno Guimarães) e usa com eficiência a velocidade de seu ataque. Claro que a saída de Renan Lodi provocou um problema considerável, mas o time mantém a capacidade para ir da defesa ao ataque com rapidez e bola no chão. É fato que, neste ano, o Athletico não tem como visitante desempenho sequer próximo do que mostra na Arena, e isso lhe custou caro na Recopa e na Libertadores; na Copa do Brasil, porém, deixou Flamengo e Grêmio pelo caminho.

O Inter também perdeu um bom lateral, o Iago, mas sua armação depende mais dos meio-campistas do que dos laterais. Faz tempo que Edenilson e Patrick estão jogando bem. A zaga colorada, com Moledo e Cuesta, é a mais eficiente do Brasil nesta temporada Na frente, Guerrero garante ao Inter a qualidade que faltou em seu ataque no ano passado. Ele ainda decide jogos difíceis e continua entre os melhores atacantes dos clubes sul-americanos.

O Athletico usará, frequentemente, a velocidade de Roni, o que, de tão óbvio, deve ter sido a principal preocupação de Hellmann nos treinos com sua defesa. Do mesmo modo, Tiago Nunes sabe que seus zagueiros sofrerão com Guerrero. A questão é se os treinadores encontrarão algum antídoto. A classificação para a Libertadores de 2020 será um prêmio adicional para o campeão, mas o título, por si, é demasiado importante. O Inter, além do mais, tem boa pontuação e todo o segundo turno do Brasileiro para buscar pelo menos uma boa posição. O Athletico mostra que não é apenas um time em boa fase; antes, a estrutura do clube e o ótimo trabalho no profissional e na formação de jogadores são a base para grandes feitos.

O Athletico estará habitualmente na Libertadores, nas principais fases da Copa do Brasil e entre os melhores do Brasileiro. Se o Inter vencer por diferença de um gol, a decisão irá para os pênaltis; e nesse caso também há perspectiva de equilíbrio, pois os dois goleiros são bons. Independentemente do resultado, é certo que Hellmann e Nunes fizeram a parte que lhes cabia.

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