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Vizinhos revelam que suposto espião da CIA abandonou casa perto de Washington

11/09/2019 10h17

Washington, 11 set (EFE).- O suposto informante da Agência Central de Inteligência (CIA) no Kremlin que os Estados Unidos "resgataram" em 2017 e identificado pela mídia russa como Oleg Smolenkov, abandonou sua residência nos arredores de Washington logo após sua história vir à tona, segundo revelou seus vizinhos ao jornal americano "The Washington Post".

De acordo com os moradores da região consultados pelo jornal, os Smolenkov abandonaram a propriedade às pressas na última segunda-feira, depois que a emissora "CNN" e o jornal "The New York Times" informaram pela primeira vez - sem revelar sua identidade - a existência de um informante da CIA no Kremlin.

Para trás ficaram brinquedos jogados pelo jardim e dois cachorros da raça italiana cane corso, que às vezes são treinados como animais de vigilância. Os vizinhos também indicaram que Smolenkov não tinha um emprego.

Smolenkov, que desapareceu repentinamente da Rússia em meados de 2017 após sair de férias com sua família para Montenegro, data na qual de acordo com a mídia americana foi "resgatado" pela CIA, vivia em uma luxuosa casa de seis quartos em uma propriedade de mais de um hectare em Stafford (Virgínia), a uma hora da capital federal.

Ainda de acordo com o "Post", Oleg Smolenkov tinha começado uma nova vida nos EUA, onde manteve seu nome real. Mas isso era um tanto incomum, pois a CIA recomenda que os desertores troquem de identidade e se mudem para algum local remoto do país ou pelo menos longe de Washington, onde a diplomacia russa tem uma maior presença.

O ex-funcionário da CIA, Joseph Augustyn, responsável entre os anos de 1999 a 2001 pelo programa de realocação, explicou ao "Post" que a agência respeita os desejos de seus protegidos, mas que a situação se encontrava Smolenkov o surpreendeu.

"Eu o imagino dizendo: 'Bom, quero viver uma vida o mais normal possível. Não quero assumir um novo nome, dificultar as coisas para minha esposa e filhos'. Não é isso que a agência recomendaria", afirmou.

A "CNN" e o "NYT" publicaram na última segunda que a CIA tinha "resgatado" em 2017 seu informante de mais alta categoria do Kremlin, após considerar que sua segurança estava comprometida por conta da suposta ingerência da Rússia nas eleições à Casa Branca de 2016.

Smolenkov já conhecia Washington, pois entre os anos de 2006 a 2008 foi designado como oficial na Embaixada da Rússia nos EUA (momento em que pôde ser captado pela CIA), sob as ordens do então embaixador, Yuri Ushakov. Ambos retornaram a Moscou em 2008. EFE

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