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Tráfico ilegal dos EUA ao México tem saldo de 2 milhões de armas em 10 anos

11/09/2019 23h08

Inés Amarillo.

Cidade do México, 11 set (EFE).- "Congelar" o tráfico de armas ilegais que chegam dos Estados Unidos ao México foi o pedido do chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, durante sua visita à Casa Branca na última terça-feira, que teve como objetivos avaliar os avanços no controle do fluxo migratório rumo ao território americano e evitar a cobrança de novas tarifas por parte do governo de Donald Trump.

Milhares de armas de fogo cruzam a cada ano a fronteira entre os dois países de norte a sul, um problema que, para o governo mexicano, é responsável por parte da violência no país.

Estas são as chaves para entender a importância e o volume de armas que chegam a cada ano ao México, onde o porte e a posse são muito restritos:.

Qual é a legislação em relação à posse e porte de armas no México?

A Constituição de 1917 falava originalmente do direito de possuir e portar armas "para segurança e legítima defesa".

No artigo 10 do texto original, o porte pelos cidadãos estava sujeito a regulamentações da polícia, e era negado o uso de armas expressamente proibidas por lei ou aquelas utilizadas pelas forças de segurança.

Em 1971, houve uma reforma na Carta Magna, e no ano seguinte foi promulgada a Lei Federal de Armas de Fogo e Explosivos, que deu o direito aos cidadãos de possuir armas em casa, desde que não sejam apenas de uso militar. O texto acrescenta que a "lei federal determinará os casos, condições e lugares" para o porte.

Em março deste ano, o debate sobre a legalidade e o uso de armas no México renasceu graças a um decreto que criou uma nova corporação de segurança, a Guarda Nacional, e em cujo texto também foi modificado o artigo 10.

No entanto, as mudanças não foram substanciais, já que o documento somente acrescentou a Guarda Nacional na lista de organizações autorizadas para o uso de armas.

Qual é o impacto do tráfico de armas na violência no México?

O país vive uma grave crise de violência e insegurança. Segundo dados oficiais, foram registrados 35.964 homicídios em 2018, um patamar ao qual não chegava há duas décadas.

A onda de violência não recuou na maioria dos crimes, tanto de alta quanto de baixa gravidade desde que Andrés Manuel López Obrador chegou à presidência do país, em dezembro do ano passado. Somente nos primeiros sete meses de 2019, houve 20.135 homicídios.

Embora o documento apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores mexicano na reunião na Casa Branca indique que "foi observado um aumento substancial na apreensão de armas de fogo ilegais", os números continuam sendo alarmantes.

De acordo com dados apresentados pela Secretaria de Relações Exteriores, 70% dos crimes realizados com armas no país foram cometidos com itens provenientes dos Estados Unidos.

Ainda conforme o documento, cerca de 567 armas de fogo ilegais entram no México a cada dia, enquanto que, nos últimos dez anos, foram introduzidas um total de 2 milhões no país.

Segundo uma análise da Universidade de Toronto e publicada na revista científica "The Lancet Public Health" no dia 19 junho, de 1990 a 2015 o México foi o quarto país que mais registrou mortes por arma de fogo (272 mil), atrás apenas de Brasil, Estados Unidos e Colômbia.

A violência custou ao México 21% de seu PIB em 2017, segundo o Instituto para a Economia e a Paz, um centro de pesquisa nas áreas de política pública e ações de cidadania.

Qual é a proposta do México e com o que se compromete a Casa Branca?

A Secretaria de Relações Exteriores lembrou que, assim como a migração, a venda ilegal de armas também é um problema de segurança nas fronteiras.

Por isso, Ebrard propôs estabelecer operações adicionais de controle de armas e drogas em vários trechos do lado americano da fronteira: San Diego-Tijuana, El Paso-Ciudad Juárez, Laredo-Nuevo Laredo, McAllen-Reynosa e Brownsville-Matamoros.

Além disso, o chanceler mexicano explicou, durante a entrevista coletiva posterior à reunião, que desde junho já estava pactuada com Washington a criação de um "grupo binacional" dedicado a essa questão e que começará a trabalhar no México na semana que vem.

"O objetivo é saber quantas armas ilicitamente provenientes dos Estados Unidos são registradas a cada mês, fazer um acompanhamento para ver quem as vendeu. Esse trabalho, que eu saiba, nunca foi feito", explicou Ebrard.

A resposta dos EUA está sendo positiva, já que, segundo o chanceler, o próprio Donald Trump teria afirmado: "vamos dar atenção ao que também preocupa os senhores, que é a questão das armas".

"O fluxo ilegal de armas dos Estados Unidos para o México representa uma ameaça comum. Acaba de ser colocado em prática um grupo binacional no México para identificar e implementar medidas concretas para combater essa ameaça. Fiquem atentos!", publicou em suas redes sociais o embaixador dos EUA no México, Christopher Landau. EFE

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