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Risco de ondas de calor pode afetar espécies no Mediterrâneo

11/09/2019 13h05

ROMA, 11 SET (ANSA) - Ondas de calor que afetam as camadas mais profundas do Mar Mediterrâneo podem elevar a temperatura na região em até 2 graus em relação à média geral, com o risco de dizimar espécies marinhas, especialmente algas, corais e esponjas. O fenômeno é notado principalmente na região jônica e na zona sudoeste, segundo identificado na pesquisa de um grupo francês do Centro Nacional de Pesquisas Meteorológicas de Toulouse e da Universidade de Toulouse, coordenada por Pierre Nabat, e publicada na revista Geophysical Research Letters.   

O estudo emerge da reconstrução de 35 anos de história das ondas de calor que ocorreram no mar Mediterrâneo, de 1982 a 2017.   

As ondas de calor são episódios de aquecimento anômalo do mar que podem ter impactos devastadores nos ecossistemas marinhos.   

Em 2003, o Mar Mediterrâneo, por exemplo, sofreu uma onda de calor devastadora que dizimou populações de esponjas, algas e corais. De acordo com a pesquisa, esses fenômenos podem ser mais frequentes nas próximas décadas, devido às mudanças climáticas que também registraram um recorde de calor, com temperaturas no nível do solo, em agosto, até 50 graus em muitas áreas no sul da Itália, e com um julho de 2019 que foi o mês mais quente dos últimos 140 anos.   

Os dados ainda alertam que é necessário compreender a dinâmica desses fenômenos para prever seus efeitos.   

Graças às informações coletadas no mar e no espaço, com os satélites do programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia (EPA) e da Comissão Europeia, os especialistas reconstruíram as ondas de calor no Mediterrâneo de 1982 a 2017, a 23 metros, 41 metros e 55 metros de profundidade.   

"É nesses níveis que no passado foram observados eventos de mortalidade ligados ao estresse térmico das espécies marinhas do Mediterrâneo", explicam os cientistas.   

Os resultados mostram que as ondas de calor marinhas nos estratos da superfície duram cerca de 15 dias, cobrem cerca de 20% da conta do Mediterrâneo, onde as temperaturas aumentam, em média, 0,6 graus e as ondas de calor são mais frequentes em profundidade.   

Da mesma forma, as ondas de calor na profundidade são mais extensas e mais severas, com duração de cerca de 20 dias a 23 metros de profundidade (em algumas regiões do noroeste do Mediterrâneo, Jônico e Adriático) e até 50 dias a 41 e 55 metros, onde o mar aquece de 1 a 1,7 graus, com picos de 2 graus na parte jônica e no sudoeste.   

Com isso, as espécies marinhas que vivem nas profundezas têm maior probabilidade de morrer quando uma mudança acentuada de temperatura é verificada. (ANSA)
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