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Governo anuncia campanha mundial de publicidade para reverter má imagem

Victor Moriyama/Greenpeace
Imagem: Victor Moriyama/Greenpeace
do UOL

Da Agência Senado, em Brasília

11/09/2019 16h54

A partir da semana que vem, a Secretaria de Publicidade da Presidência da República iniciará uma campanha mundial de comunicação voltada a reverter a má imagem do Brasil no exterior, devido às recentes queimadas na Amazônia. Os detalhes da estratégia foram apresentados pelo secretário de Publicidade do governo, Glen Valente, durante audiência nesta quarta-feira (11) na Comissão de Agricultura (CRA).

"O esforço começa na semana que vem e será uma campanha permanente, sem data pra acabar. Nossos leads serão meio ambiente e agronegócio. Mapeamos notícias negativas sobre o Brasil no mundo todo, inclusive em redes sociais, continuaremos a monitorar este noticiário que não corresponde à realidade e vamos combatê-lo diretamente", declarou Valente.

A estratégia, que se chama "Brazil by Brasil", terá como foco a disseminação de informações nas redes sociais, mas também em veículos de TV e rádio.

Valente mostrou alguns dos vídeos que serão disseminados para os EUA e países europeus, traduzidos em diversos idiomas, e que também serão divulgados em nosso país. As peças publicitárias destacam que o Brasil é o único país do mundo que tem um Código Florestal (Lei 12.651) e que o agronegócio brasileiro alimenta 1,2 bilhão de pessoas no mundo todo, explorando apenas 7,8% do seu território. Outros temas também são tratados, e nações fora do eixo Europa-EUA receberão o material da mesma forma, de acordo com o monitoramento permanente que o governo vai realizar.

Guerra de comunicação

O diretor de Promoção do Agronegócio no Itamaraty, Alexandre Ghislene, considera muito importante que diversos setores do governo estejam engajados na estratégia unificada de comunicação internacional. Para ele, "o esforço veio para ficar", pois a percepção mundial é de que o agronegócio brasileiro representa uma ameaça a produtores locais, o que fortalece a pauta protecionista de outros países que absorvem notícias negativas sobre o Brasil.

A presidente da CRA, Soraya Thronicke (PSL-MS), também considera primordial que o governo priorize a propaganda internacional, pois boicotes já vêm sendo feitos contra nossos produtos.

"Estamos perdendo a guerra da informação para movimentos articulados que têm interesse em nos prejudicar. Só que estudos da Nasa provam que preservamos 66% de nosso território, usando só 7,6% na produção. Enquanto isso, países da União Europeia (UE) usam até 65% do seu território, a Índia usa 60,5%, os EUA usam 18,3% e a China, 17,7%", argumentou.

Desmatamento

O secretário de Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Castelo Branco, revelou que dados recentes do IPCC (órgão da ONU que reúne cientistas especializados em meio ambiente) comprovaram que o desmatamento caiu no Brasil.

"O relatório não teve muita divulgação nos meios de comunicação daqui e de fora porque frustrou certos grupos. Com base em imagens de satélites dos últimos 30 anos, o IPCC prova que o Brasil aumentou sua área verde, aumentou as áreas preservadas durante este período."

Castelo Branco ainda desafiou a comissão da ONU para a Agricultura (conhecida pela sigla FAO) a criar um índice de produtividade sustentável.

"O agronegócio brasileiro responde por 0,8% das emissões mundiais. Alimentamos 20% do planeta hoje, dobramos a produção em 20 anos sem crescer a área plantada. Se a FAO criar um índice produtivo sustentável, lideraremos fácil este ranking! Os outros países vão estar muito distantes, ninguém vai se aproximar dos nossos índices", garantiu.

O representante do MMA ainda disse que o Brasil cumprirá todas as metas estabelecidas no Acordo de Paris, e que as negociações para que o país ingresse na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passam pela assinatura de mais 80 protocolos ambientais.

Comparação com a Europa

O consultor de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Justus, afirmou estar perplexo com as "lições de moral" que países europeus dão no Brasil.

"A área protegida na Amazônia equivale a 17 países da União Europeia. Isso não é pouco, especialmente quando nos lembramos que a Europa devastou 99,3% de toda sua vegetação nativa. Cá entre nós, é realmente surreal eles nos criticarem tanto. Precisamos mesmo melhorarmos nossas estratégias de comunicação", constatou.

Justus ainda criticou o fato de a Nestlé estar avaliando se manterá a compra de produtos brasileiros. "Se a empresa suíça boicotar nossa produção, chegou a hora de defender que ela seja banida do mercado consumidor brasileiro", disse.

Também participou da audiência João Adrien, do Ministério da Agricultura (Mapa). Ele disse que o Brasil tornou-se um caso único no mundo, em que quanto mais intensiva é a produção, mais preservacionista fica.

"O setor agropecuário brasileiro é a solução para a sustentabilidade. Somos os únicos no mundo cuja tecnologia, ao se tornar mais intensiva, torna-se mais sustentável. O acordo de Paris é baseado na nossa agricultura tropical. É muito frustrante virarmos os vilões do mundo, porque nós somos a solução do problema", afirmou.

Adrien ainda declarou que o aumento recente nas queimadas está ligado a ações ilegais que devem ser combatidas pelo governo. Esse combate passa pela regularização fundiária, que é uma das prioridades do Mapa.

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