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Dilma defenderá liberdade de Lula na "Festa da Humanidade" em Paris

11/09/2019 11h02

O jornal L'Humanité desta quarta-feira (11) publica uma matéria de capa sobre a vinda da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff à França. Ela participará da "Festa da Humanidade", evento promovido pelo diário de esquerda desde 1930. Em Paris, a petista defenderá a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O jornal L'Humanité desta quarta-feira (11) publica uma matéria de capa sobre a vinda da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff à França. Ela participará da "Festa da Humanidade", evento promovido pelo diário de esquerda desde 1930. Em Paris, a petista defenderá a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma será uma das convidadas de honra da festa. Com a participação da ex-presidente, a "Festa da Humanidade" promoverá um encontro com democratas e progressistas brasileiros que se opõem ao governo de Jair Bolsonaro.

L'Humanité ressalta que Lula não estará presente porque "está injustamente preso há um ano e meio depois de um processo cujo único objetivo era de tirá-lo das eleições presidenciais de 2018". Em editorial, o jornal afirma que não desistirá de lutar pela libertação do líder petista. "As políticas sociais de Lula tiraram 40 milhões de brasileiros da miséria. Quando ele deixou o poder depois de dois mandatos, contava com 90% de opiniões favoráveis entre a população", salienta.

Por isso, neste fim de semana, o público da "Festa da Humanidade" vai gritar "Lula Livre" para que a campanha internacional por sua libertação se amplifique. "Lula fora da prisão é a esperança de todo um povo que foi condenado com ele", conclui o editorial.

Governo Bolsonaro é feito para ricos e setor financeiro

Em outra matéria em sua edição desta quarta-feira, L'Humanité faz um balanço dos nove primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro. Para o diário, o presidente brasileiro tem um projeto feito sob medida para a burguesia, o setor financeiro e os interesses estrangeiros. "Em um país onde a segregação reina e a democracia está em ruínas, a violência contra todos aqueles que se posicionam contra as normas do bolsonarismo se acelera", afirma o diário.

L'Humanité destaca que a elite do país e os detentores dos interesses financeiros sempre viram na figura de Bolsonaro a possibilidade de colocar um fim às políticas progressistas do governo Lula para, segundo o jornal, "voltar ao ultraliberalismo e ao darwinismo social que caracterizavam o Brasil até os anos 90". Prova disso, afirma a matéria, é a drástica diminuição do orçamento para programas sociais de luta contra a pobreza, como o "Minha Casa, Minha Vida" e o "Bolsa Família", que beneficiam quase 14 milhões de famílias brasileiras, mas que devem sofrer um corte de cerca de 50% em 2020.

Quem também é penalizado pelo novo governo são as universidades federais, que tiveram 30% de suas verbas congeladas, destaca L'Humanité. Para justificar a decisão, o ministro da Educação Abraham Weintraub acusou essas instituições de estarem gangrenadas pelo "marximo cultural".

Em maio, o anúncio da suspensão de bolsas de mestrado e doutorado levou estudantes e professores para as ruas do país. Os protestos contra essas medidas, no entanto, não desencorajaram Bolsonaro a anunciar que pretende impor a militarização de estabelecimentos públicos. L'Humanité lembra que um projeto-piloto já está inclusive sendo realizado pela polícia militar desde fevereiro em quatro escolas de Brasília.

Juventude e Floresta Amazônica

Mas "a juventude não é o único alvo da extrema-direita brasileira", salienta L'Humanité, lembrando que, em julho, deputados aprovaram a Reforma da Previdência, que prevê uma economia de mais de R$ 933 bilhões em dez anos. Outras medidas que penalizam o trabalhador também estão sendo analisadas pelo governo Bolsonaro. Segundo o jornal, o próprio presidente já anunciou sua intenção de reduzir 90% das normas de segurança e saúde no trabalho que ele classifica como "bizantinas, anacrônicas e hostis".

Também na mira do governo estão os povos nativos e a Floresta Amazônica. Bolsonaro diz que "há muita terra pra pouco índio" para justificar o fim da demarcação de terras indígenas, lembra o jornal. Além disso, desde o começo do ano, 44 mil focos de incêndio foram contabilizados na Amazônia. "Esse drama ecológico não é estranho ao projeto político e econômico do presidente e seus amigos do agrobusiness, do setor de mineiração, rodoviário e hidrelétrico", afirma a matéria, lembrando que em um ano o desmatamento triplicou na região.

Para L'Humanité, todos esses episódios em apenas nove meses de governo mostram que "o fascismo não se alimenta apenas de pequenas frases polêmicas e escândalos diplomáticos".

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