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Chile alerta que não apoiará uso de tratado para ação armada na Venezuela

11/09/2019 20h02

Santiago (Chile), 11 set (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Chile, Teodoro Ribera, alertou nesta quarta-feira que o governo de seu país não apoiará qualquer ação armada contra a Venezuela que possa se derivar da ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), uma resolução aprovada hoje na Organização de Estados Americanos (OEA).

"Obviamente expressamos, como fizemos hoje na OEA, que não promoveremos ou apoiaremos a adoção de qualquer medida que implique o emprego da força armada ou agrave a severa crise que vive o povo da Venezuela", disse o chanceler em entrevista coletiva.

O líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, conseguiu nesta quarta-feira que 12 países, entres o Chile e o Brasil, iniciassem a ativação do Tiar, um tratado de defesa mútua entre os países do continente em caso de ataques externos. A medida, que visa pressionar Nicolás Maduro a deixar o poder, pode abrir caminho para uma intervenção militar.

"Com este apoio, o Chile ratifica seu permanente compromisso com o restabelecimento da democracia e das liberdades fundamentais na Venezuela. Esta causa exige o fim da ditadura liderada por Nicolás Maduro, que continua vulnerando os princípios básicos de um Estado de direito, além de violar direitos fundamentais", afirmou o ministro.

Ribera, no entanto, destacou que o Chile, ao lado do Peru, apoiou desde o início uma proposta da Costa Rica para excluir a possibilidade do uso da força contra a Venezuela. A resolução não teve votos suficientes para ser aprovada.

Os chanceleres dos países signatários do Tiar voltarão a se reunir na segunda quinzena de setembro, em paralelo à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para que discutir que medidas práticas serão tomadas contra a Venezuela.

O tratado já foi invocado em várias ocasiões desde sua assinatura em 1947, no Rio de Janeiro, mas duas são mais lembradas: em 1982, quando a Argentina recorreu ao Tiar contra o Reino Unido na Guerra das Malvinas, e em 2001, quando os EUA pediram o apoio do continente após os ataques de 11 de setembro, que completam hoje 18 anos. EFE

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