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'Belicismo' americano fracassará, diz presidente iraniano

11/09/2019 13h05

Teerã, 11 Set 2019 (AFP) - O presidente dos Irã, Hassan Rohani, afirmou nesta quarta-feira (11) que o "belicismo" americano fracassará e advertiu que seu país está preparado para reduzir ainda mais o nível de cumprimento do acordo de 2015 sobre seu programa nuclear.

"Os americanos têm que entender que o belicismo não joga a seu favor (...) e deve ser abandonado", declarou Rohani em uma reunião com seu gabinete, de acordo com a conta do governo no Twitter.

"O inimigo nos impôs uma 'pressão máxima'. Nossa resposta é resistir e enfrentá-la", completou o presidente iraniano.

As tensões entre Estados Unidos e Irã, rivais históricos, aumentaram desde a retirada de Washington em maio de 2018 do acordo sobre o programa nuclear iraniano.

O texto, que tinha o objetivo de evitar o acesso do Irã às armas nucleares, foi considerado muito permissivo pelo presidente americano, Donald Trump.

Desde então Washington restabeleceu duras sanções que asfixiam a economia iraniana.

A complexa situação diplomática se tornou mais incerta, após a inesperada decisão de Trump de demitir seu conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, anunciada em um tuíte na terça-feira.

"Ontem à noite informei John Bolton que seus serviços não são mais necessários na Casa Branca. Estava fortemente em desacordo com muitas de suas sugestões, assim como de outros no governo, e, portanto, pedi sua demissão, que me foi entregue esta manhã", escreveu Trump no Twitter.

Pouco depois deste anúncio, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o titular do Tesouro, Steven Mnuchin, asseguraram que Trump está disposto a se reunir "sem condições prévias" com Rohani.

A "pressão máxima" sobre Teerã vai continuar, porém, frisaram.

O representante do Irã na ONU, Majid Tajt Ravanshi, jogou um balde de água fria nas expectativas de um encontro entre ambos os presidentes no curto prazo.

"Enquanto o governo dos Estados Unidos mantiver seu terrorismo econômico e as cruéis sanções sobre o povo iraniano, não há espaço para negociações", afirmou o representante, citado pela agência de notícias IRNA.

A saída de Bolton, considerado um "falcão", do governo americano é "um assunto interno", acrescentou Ravanshi.

Ontem, o Irã reagiu, garantindo que a demissão é um "claro sinal" de que a campanha de sanções americanas fracassou.

"A marginalização de Bolton e sua demissão não são um acidente, mas um claro sinal da derrota da estratégia de pressão máxima dos Estados Unidos" contra o Irã, tuitou Hesamedin Ashena, conselheiro do presidente iraniano, Hasan Rohani.

O governo iraniano também acusou Estados Unidos e Israel de "pressionarem" a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"A falta de cooperação plena do regime do Irã com a AIEA gera dúvidas sobre possíveis atividades, ou materiais nucleares não declarados", disse Pompeo no Twitter.

O enviado especial do Irã neste organismo, Kazem Gharib Abadi, avaliou que esse tipo de declaração é um "complô" contra seu país.

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