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Ativistas são julgados por retirar retratos oficiais de Macron de prefeituras na França

Ativistas do clima seguram uma foto do presidente francês Emmanuel Macron em frente à prefeitura de Saint-Ouen - Dominique Faget/AFP
Ativistas do clima seguram uma foto do presidente francês Emmanuel Macron em frente à prefeitura de Saint-Ouen Imagem: Dominique Faget/AFP

11/09/2019 12h36

Uma manifestação marcou o início do processo de nove ativistas do clima hoje em frente ao Tribunal de Paris. Eles são acusados de roubo e formação de quadrilha por terem retirado o retrato oficial do presidente Emmanuel Macron de várias subprefeituras da capital. "Somos todos arrancadores de retratos", gritaram os cerca de 200 manifestantes, que denunciam o imobilismo do governo na luta contra o aquecimento global.

Os nove ativistas (oito militantes ecologistas e um cinegrafista amador), com idades entre 23 e 26 anos, promoveram de uma operação para a retirada das fotos oficiais do presidente francês em Paris, em fevereiro. Eles participam de um movimento de desobediência civil, lançado pelo coletivo Ação Não-Violenta COP21 (ANV-COP21), batizado ironicamente de "retiremos Macron". A organização atua desde a Conferência do Clima de Paris (COP21), em 2015.

Desde o lançamento do movimento, eles reivindicam a "requisição" de 128 retratos oficiais. O último deles foi retirado na véspera do G7 de Biarritz, no dia 23 de agosto, em um vilarejo na região da cidade que acolheu os líderes das sete potências mundiais.

"Fim da inação climática"

Os manifestantes carregavam cartazes pedindo o "fim da inação climática". Cécile Marchand, uma militante que participou da manifestação, explicou que eles vivem um momento ambíguo, entre "a determinação de explicar porque é necessário aderir à desobediência civil em relação às questões ecológicas e a apreensão do resultado do julgamento". Para a jovem, que trabalha na associação Amigos da Terra, este "não é nosso processo, e sim o processo contra a inação climática de Macron".

O diretor-executivo da ONG Greenpeace na França, Jean-François Julliard, também participou do ato. Ao lado dos nove acusados, ele disse que "atualmente, é essencial se engajar na rua; não é mais o momento para expertises e processos". Cécile Duflot, ex-ministra do governo de François Hollande e atual diretora da Oxfam na França, concorda. Segundo ela, "não é mais o momento de alerta e sim de agir". "Será que os juízes deste processo vão compreender o que os dirigentes do país não entendem?", questiona Duflot.

Ao todo, 57 ativistas são acusados em todo o país por roubo e formação de quadrilha por terem retirados os retratos do presidente Macron. Na França, o delito é passível de cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa.

O julgamento de Paris não foi o primeiro. No final de maio, um militante ecologista foi condenado a uma multa de 250 euros, em Bourg-em-Bresse, no sudeste do país. Em junho, cinco ativistas foram também condenados, mas com direito a sursis. Até setembro de 2020, 12 outros processos de "arrancadores de retratos oficiais" estão previstos.

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