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Aniversário dos ataques de 11/9 joga luz sobre sequelas de quem salvou vidas

11/09/2019 19h35

Nova York, 11 set (EFE).- A cidade de Nova York lembrou nesta quarta-feira o 18º aniversário dos atentados de 11 de setembro em meio à polêmica sobre as mortes por câncer de pessoas que participaram dos resgates nos escombros das Torres Gêmeas.

Minutos de silêncio pelas 2.977 pessoas que morreram nos ataques terroristas - incluindo não só o que ocorreu no complexo empresarial World Trade Center como os com outros dois aviões sequestrados e que caíram no Pentágono, em Washington, e em um campo aberto na cidade de Shanksville, na Pensilvânia - foram prestados ao longo dos Estados Unidos para homeagear as vítimas da tragédia.

No marco zero de Nova York, em Manhattan, onde duas enormes fontes e um memorial ocupam o lugar onde ficavam as Torres Gêmeas, foram hoje deixadas flores pelos parentes que participaram da cerimônia tradicional de aniversário dos atentados, na qual acontecem seis momentos de silêncio entre as 8h46 (horário local) - momento em que o primeiro avião atingiu a torre norte - até as 10h28, quando este arranha-céus desabou.

As 184 pessoas que morreram quando um terceiro avião sequestrado se chocou contra o Pentágono, às 9h37, também foram lembradas, assim como outros 40 passageiros e tripulantes que morreram na queda da última aeronave, na Pensilvânia, às 10h03.

Durante e após a tragédia, policiais, bombeiros, paramédicos e voluntários prestaram atendimento às vítimas e retiraram sobreviventes e restos mortais em meio ao aço, ao concreto, a outros materiais e gases tóxicos que emanavam das ruínas dos edifícios no marco zero. O programa americano de saúde World Trade Center Health Program estima que cerca de 400 mil pessoas foram expostas a poluentes tóxicos e ao risco de sofrerem traumas emocionais e psicológicos nos dias e meses seguintes.

No último dia 18 de julho, a morte de um bombeiro que tinha participado dos resgates elevou para 200 o número de mortos como consequência de uma doença vinculada aos trabalhos realizados naquelas datas.

De acordo com dados fornecidos pelo programa federal, conhecido como lei James Zadroga - em homenagem a um policial de Nova York que morreu de problemas respiratórios em 2006 -, e atualizado no final de junho, 2.448 pessoas inscritas neste sistema de ajuda morreram até o momento.

No entanto, o programa adverte que não pode ser "estabelecido se eles morreram como resultado de suas condições de saúde ligadas" estritamente a resgates ou outras razões.

O diretor do programa no Hospital Monte Sinai, em Nova York, Michael Crane, disse à Agência Efe ser difícil estabelecer essa relação devido à mobilidade das pessoas e à falta de informações centralizadas.

Crane, cujo hospital atendeu 24 mil pessoas afetadas pelo atentado, conta que as que trabalhavam ou viviam no sul de Manhattan estiveram em contato com estes materiais tóxicos durante anos.

Segundo o programa federal, pelo menos 14.559 pessoas contraíram câncer, embora as doenças mais comuns sejam as dos aparelhos respiratório e digestivo, com 42.227 casos; transtornos mentais, com 16.549 casos; e as osteomusculares, com 556.

Crane afirmou que mais de 80% das 90 mil pessoas que reagiram aos ataques "estão em tratamento" e ressaltou que 5% das 400 mil pessoas que vivem e trabalham na região também estão registradas no programa de ajuda aos sobreviventes. Além disso, mostrou preocupação com o surgimento de novos casos.

A lei James Zadroga foi ratificada em janeiro de 2011 pelo então presidente Barack Obama para tratamento de saúde e compensação financeira para pessoas que foram afetadas pelos ataques de 11 de setembro. Os US$ 7 bilhões previstos para esses gastos começaram a acabar e não havia mecanismos para arrecadar novas contribuições.

Isso incentivou nos últimos meses a mobilização daqueles que ainda sofrem as consequências, conseguindo provocar a abertura de um debate público e político para consolidar as ajudas.

Um dos momentos mais impactantes foi o pronunciamento do policial aposentado Luis Álvarez, em junho, diante de uma comissão do Congresso dos EUA, para defender a continuidade dos fundos de compensação.

Álvarez, que tinha 53 anos e lutava contra um câncer de pulmão contraído como consequência dos três meses que passou entre as ruínas das Torres Gêmeas, acabou morrendo poucas semanas depois do pronunciamento.

Por fim, congressistas dos partidos Republicano e Democrata aprovaram a ampliação dos recursos até 2092 para cobrir despesas médicas aos "heróis" do 11 de setembro.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, assinou uma nova lei que obriga as escolas públicas de todo o estado a prestar um minuto de silêncio para lembrar o aniversário dos ataques terroristas, a fim de "incentivar o diálogo e a educação na sala de aula". EFE

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