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Papa defende mensagem social e diz não temer 'cisma' na Igreja

10/09/2019 16h47

A bordo do avião papal, 10 Set 2019 (AFP) - O papa Francisco, atacado frontalmente por católicos conservadores que o tacham de "comunista", assumiu nesta terça-feira (10) seu discurso social, inspirado em João Paulo II e disse não ter medo de um cisma dentro da Igreja.

"Rezo para que não haja cisma, mas não tenho medo", declarou Francisco à imprensa, no avião de retorno a Roma após visitar Moçambique, Madagascar e ilhas Maurício.

Alguns bispos católicos conservadores, em particular nos Estados Unidos, consideram que o papa argentino fala muito sobre desigualdades sociais, migrantes e excluídos, em detrimento de pontos da doutrina tradicional sobre a família e a moral sexual.

Alguns inclusive chegaram a pedir sua saída, argumentando que Francisco semeia "a confusão" entre os crentes.

"As críticas não vêm só dos americanos, [provêm] de outras partes e também na Cúria (governo do Vaticano)", admitiu o Pontífice. Mas "as coisas sociais que digo são as mesmas que disse João Paulo II. As mesmas coisas. Eu as copio!", insistiu.

Para ele, seus críticos que repetem, por exemplo, que "'o papa é muito comunista'", fazem "a ideologia entrar na doutrina".

"E quando a doutrina está cheia de ideologia, existe a possibilidade de um cisma", afirmou.

"Não tenho medo de cismas. Rezo para que não haja nenhum, porque está em jogo a saúde espiritual de muita gente", insistiu o papa, lembrando dos vários cismas que a Igreja atravessou em sua história.

O sumo pontífice assegurou que sempre está disposto a responder às críticas "construtivas" e "leais", abertas ao diálogo.

"Não gosto quando as críticas são feitas debaixo dos panos" ou "os que te sorriem e depois te apunharam pelas costas", acrescentou.

Esta atitude não consiste, segundo ele, em "querer o bem para a Igreja", mas só em perseguir "ideias fixas (...) como mudar de papa, mudar de estilo, criar um cisma", criticou. E é exclusiva de "pequenos grupos fechados que não querem escutar a resposta à crítica".

O papa também advertiu contra os padres e bispos "rígidos", que causam "problemas".

"Hoje, temos tantas escolas de rigidez na Igreja, que não são cismas, mas são caminhos cristãos de tipo carismático. No final, vão acabar mal", vaticinou.

Consultado por uma jornalista espanhola sobre viagens, o papa respondeu que "a prioridade na Europa são os países pequenos", e que depois irá aos maiores.

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