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Após crítica dos EUA, México defende plano para conter migração na fronteira

10/09/2019 21h12

Washington, 10 set (EFE).- O secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, defendeu nesta terça-feira, em visita à Casa Branca, as medidas adotadas pelo país para conter a migração rumo aos Estados Unidos e afirmou que elas provocaram uma "queda irreversível" no fluxo de pessoas que tenta cruzar a fronteira entre os dois países.

A defesa da política implementada pelo governo de Andrés Manuel López Obrador vem depois de os EUA exigirem que o México faça mais para deter os migrantes que cruzam o país para tentar entrar no território americano.

O pedido foi feito ontem pelo diretor interino da Agência de Proteção Alfandegária e Fronteiras dos EUA (CBP), Mark Morgan. Segundo ele, a CBP prendeu ou impediu a entrada no país de 64.006 migrantes na fronteira em agosto, uma queda de 56% em relação aos 144.255 registrados em maio, número recorde deste ano.

"Precisamos que o México faça mais. Precisamos garantir que eles estão mantendo esses esforços", disse Morgan em entrevista coletiva.

Na Casa Branca, Ebrard foi recebido pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, mas chegou a conversar com Trump por cerca de dez minutos. Apesar das críticas de Morgan, o chanceler afirmou que o presidente americano agradeceu ao México pelas medidas adotadas para barrar a migração.

Além disso, segundo o chanceler mexicano, nenhum representante do governo americano cogitou a possibilidade de voltar a aplicar tarifas sobre os produtos exportados pelo país aos EUA, uma ameaça feita por Trump antes das medidas migratórias serem adotadas.

"O que o México fez deu resultado. A tendência é irreversível, é algo que pensamos que vai ser permanente", disse Ebrard após o encontro com Pence.

A reunião tinha como objetivo revisar o acordo que os dois países firmaram em junho. Em troca de uma maior atuação do México para conter a migração na fronteira, os EUA desistiram de aplicar taxas sobre todos os produtos importados do país vizinho.

"O risco de um confronto entre México e EUA está cada vez mais distante", disse o chanceler.

O otimismo mexicano não foi compartilhado pelo lado americano. Pence ressaltou em um tweet após o encontro que ainda "falta trabalho para fazer" para proteger de vez a fronteira entre os dois países.

"Os líderes concordaram em implementar os Protocolos de Proteção de Migrantes (PPM)", disse o escritório de Pence em comunicado.

O PPM, política mais conhecida como "Permaneçam no México", dá aos Estados Unidos permissão para devolver ao país vizinho os migrantes que chegam à fronteira para pedir asilo. Eles esperam no México até que as solicitações sejam analisadas pela Justiça americana, um processo que pode durar anos.

O plano começou a ser implementado no início deste ano em três pontos de entrada nos EUA. Em junho, com o acordo entre os dois países, o México aceitou expandir o PPM por toda a região da fronteira. EFE

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