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Renault Kwid corrige freios e agrada quem não faz questão de ter um SUV

do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo

09/09/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Modelo é vendido como o "SUV dos compactos", mas não deixa de ser hatch
  • Pequeno, econômico e "altinho", é alternativa aos utilitários esportivos
  • Na linha 2020, Kwid recebeu melhorias nos freios
  • Testamos a nova versão de topo Outsider, com apelo aventureiro
  • Com preço de R$ 45 mil, Kwid Outider é R$ 2,5 mil caro que o Intense

Desde o lançamento do Kwid, há cerca de dois anos, a Renault anuncia o carro como o "SUV dos compactos", destacando a altura elevada em relação ao solo e os apliques plásticos na carroceria das versões mais equipadas. Independentemente da estratégia de marketing, o Kwid nada mais é que um hatch "altinho" e não um utilitário esportivo. Isso pode agradar quem busca não apenas preço acessível, mas um carro pequeno e prático para se deslocar, gastando pouco combustível.

Levando em conta apenas o lado racional, o Kwid entrega esses atributos com competência. Medindo apenas 3,68 m de comprimento e 1,58 m de largura, cabe em quase qualquer vaga de estacionamento - inclusive naquelas onde verdadeiros SUVs compactos não entram. Com peso de apenas 800 kg, aproximadamente, seu motor 1.0 flex de três cilindros e 70 cv oferece consumo na casa de 10 km/l na cidade com etanol - de acordo com o Inmetro. Na estrada, com o pé leve, dá para chegar a 14 km/l ou até mais.

Junte a isso o preço: tem versões a partir de R$ 33.990, fazendo do Kwid um dos carros zero-quilômetro mais baratos do mercado. Porém, na linha 2020, o subcompacto atingiu a faixa de R$ 45 mil na inédita versão topo de linha Outsider, testada por UOL Carros e disponível por exatos R$ 44.990. Vale?

Não precisa ler o texto até o fim, já damos a resposta: só se você for mesmo fã do subcompacto. Nessa configuração estilosa, o Kwid já encosta no preço de hatches maiores - para se ter ideia, por R$ 45.590 dá para colocar na garagem um Ford Ka básico.

Na ponta do lápis, o Outsider é R$ 2,5 mil mais caro que a configuração Intense (R$ 42.490), trazendo exatamente os mesmos equipamentos, mecânica e altura em relação ao piso. A diferença está na aparência: o "aventureiro" Outsider traz a fórmula já conhecida: apliques plásticos mais parrudos nos para-choques, simulando proteções metálicas; novas e maiores molduras dos faróis auxiliares; calotas na cor preta brilhante nas rodas de 14 polegadas; apliques plásticos na base das portas laterais; peças também plásticas simulando barras de teto; e detalhes na cor laranja dentro da cabine.

Além dos toques estéticos, a lista de itens de série é a mesma do Kwid Intense e inclui ar-condicionado, direção com assistência elétrica, travas, retrovisores e vidros dianteiros elétricos, computador de bordo, Isofix, quatro airbags, abertura elétrica da tampa do porta-malas e central multimídia - que recebeu na linha 2020 duas alterações importantes: agora é compatível com Apple CarPlay e Android Auto, permitindo, por exemplo, usar o Waze; e teve as portas USB e auxiliar deslocadas para o console central.

Anteriormente, essas portas ficavam na própria central, obrigando a deixar o fio do celular "pendurado".

Na linha 2020, Kwid trocou discos sólidos por ventilados e melhoria está evidente - Marcos Camargo/UOL
Na linha 2020, Kwid trocou discos sólidos por ventilados e melhoria está evidente
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Agora freia bem

Ficou bonito, mas a maior novidade do Kwid na linha 2020, essa disponível em todas as versões, está nos freios: a Renault ouviu as reclamações dos clientes e finalmente trocou os discos sólidos por unidades ventiladas na dianteira - a traseira segue com tambores. Assim, o maior pecado do Kwid foi solucionado: se anteriormente era preciso pisar mais forte no pedal para brecar, agora o equipamento está bem melhor, passando sensação de segurança - sobretudo em descidas de serra, nas quais os freios são mais exigidos e tendem a aquecer, perdendo a eficiência.

Você pisa no pedal e a resposta é imediata.

Os freios problemáticos, inclusive, foram motivo de um recall total para o Renault Kwid, anunciado em novembro de 2017, afetando as mais de 21,8 mil unidades do subcompacto até então produzidas.

Cabine traz detalhes na cor laranja no volante, no câmbio, nos bancos e no painel das portas - Marcos Camargo/UOL
Cabine traz detalhes na cor laranja no volante, no câmbio, nos bancos e no painel das portas
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Simples, mas cumpridor

No dia a dia, o Kwid é um carro racional e até divertido. Por dentro, traz acabamento simples, porém com peças bem encaixadas e os citados detalhes laranja da versão mais cara, que têm uma aparência metalizada. Dá para levar até quatro adultos com conforto, desde que os passageiros traseiros não sejam muito altos, e o porta-malas é o maior dentre os subcompactos, com capacidade para 290 litros e forração interna.

A versão Outsider, com suas barras de teto, sugere espaço extra para as bagagens, mas o componente é decorativo e até traz adesivo alertando: "Não aplicar carga".

Por ser um carro criado para oferecer baixo custo, alguns mimos encontrados em hatches maiores estão ausentes: os vidros dianteiros não têm função "um-toque", e seus respectivos botões ficam no console central; o para-sol no lado do motorista não tem espelho; porta-luvas e porta-malas não contam com iluminação; volante e banco do condutor não têm regulagens de altura; os vidros traseiros sempre são manuais; e não há comandos integrados à direção.

O motor 1.0, mantido sem alterações, não traz o comando variável disponível no Sandero e no Logan, mas é cumpridor: sem muita carga, seus 70 cv de potência e 9,8 kgfm de torque são adequados para uso urbano, combinando com o câmbio manual de cinco marchas que traz engates precisos - que, aliás, precisa ser bastante acionado em aclives e retomadas de velocidade.

Suspensão traseira é mais dura para controlar balanço da carroceria; porta-malas leva 290 litros - Marcos Camargo/UOL
Suspensão traseira é mais dura para controlar balanço da carroceria; porta-malas leva 290 litros
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Vocação urbana, mas também vai na lama

As primeiras marchas curtinhas, que dão agilidade em vias urbanas, acabam cobrando o preço na estrada: a 120 km/h, os giros vão a cerca de 4.000 rpm, deixando o carro ruidoso e elevando o consumo. Além disso, por ser "peso-pena" e ao mesmo tempo alto, a carroceria fica mais suscetível a balançar em velocidades mais elevadas - algo que requer atenção, mas não compromete a segurança. Só deixa evidente que a verdadeira vocação do Kwid é urbana.

Ainda assim, as suspensões mais altas permitem, como nas fotos que ilustram essa reportagem, encarar uma estrada de terra sem se preocupar tanto em raspar os para-choques ou o assoalho.

Para conter o citado balanço de carroceria e lidar com o curto entre-eixos de 2,42 m, o hatch traz calibragem mais dura das suspensões, especialmente a traseira. Ao passar por buracos e lombadas, é comum perceber pancadas duras na parte de trás.

Mesmo sem ajuste de altura nem de profundidade, pessoas de altura mediana, como eu, que tenho 1,68 m, encontram facilmente boa posição para guiar. Isso somado ao volante de boa empunhadura. Mais altos, no entanto, terão mais dificuldade.

Pequeno, econômico, racional e até bonito. Assim é o Renault Kwid, que, de quebra, agora freia de forma adequada. Porém, a versão Outsider e seu preço de R$ 45 mil já não é a mais indicada para quem busca bom custo-benefício. Economize R$ 2,5 mil e fique com o Kwid Intense.

Ficha técnica: Renault Kwid Outsider

Motor: 1.0, 12V, flex, 3 cilindros

Potência: 70/66 cv a 5.500 rpm

Torque: 9,8/9,4 kgfm a 4.250 rpm

Câmbio: manual de 5 marchas

Tanque: 38 litros

Dimensões: 3,68 m de comprimento, 1,58 metro de largura, 1,47 metro de altura, 2,42 m de entre-eixos

Porta-malas: 290 litros

Preço: R$ 44.990

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