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Ex-presidente do Sudão volta a ser julgado por crimes financeiros

24/08/2019 15h22

Cartum, 24 ago (EFE).- O ex-presidente do Sudão Omar al Bashir, deposto em 11 de abril pelas Forças Armadas, voltou neste sábado ao banco dos réus para ser julgado pelos crimes de corrupção e posse ilegal de moeda estrangeira.

Durante a audiência foram revelados mais detalhes sobre o montante encontrado na casa do ditador após ele ter sido preso. Segundo a promotoria local, Bashir possuía na residência 6,9 milhões de euros, US$ 351 mil e 5,7 milhões de libras sudanesas em espécie.

Bashir já havia sido julgado em sessão preliminar no último dia 19, quando foi lido um relatório das investigações da polícia sudanesa que apontou o recebimento de US$ 91 milhões por parte do ditador. O valor, segundo a defesa do ex-presidente, seria um "presente" da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.

Desse total, US$ 25 milhões teriam do princípe herdeiro do trono saudita, Mohammed bin Salman, e 65 milhões viriam do bolso do ex-monarca saudita Abdullah Abdulaziz. Já o presidente dos Emirados Árabes, Khalifa bin Zayed, teria contribuído com um cheque de US$ 1 milhão.

Neste sábado, o advogado de Bashir disse a jornalistas que o dinheiro encontrado na casa de seu cliente fazia parte de uma "cooperação entre presidentes" e que Bashir não gastou "nem um dólar" consigo mesmo, mas com "medidas relacionadas à segurança nacional".

Além disso, acusou a justiça de só permitir visitas ao ex-presidente por parte da esposa e de diminuir os períodos dos encontros.

Além dos crimes financeiros, Bashir pode responder ainda pela repressão a manifestantes que protestavam desde dezembro do ano passado contra seu governo, que durou 30 anos.

Por enquanto, as autoridades locais restrigem o julgamento do ex-presidente do Sudão aos tribunais do país, rejeitando que a Corte de Haia avalie questões como genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, que teriam sido cometidos pelo exército e por milícias pró-governo contra a população civil de Darfur, no oeste do país, de 2003 a 2008. EFE

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