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Produção industrial da China sobe 4,8% em julho, abaixo do estimado

14/08/2019 10h01

Pequim, 14 ago (EFE).- A produção industrial da China cresceu 4,8% em julho, 1,5% a menos do que a taxa registrada em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).

O número, bem abaixo das previsões dos especialistas - previam um crescimento de cerca de 5,8% para esse mês -, representa o crescimento mais lento deste indicador desde fevereiro de 2002 e evidencia a fraqueza da demanda doméstica da China em plena disputa comercial com os Estados Unidos.

Segundo a empresa de consultoria britânica Capital Economics, os dados mostram que a desaceleração da economia chinesa está aumentando.

"Os dados sugerem que o crescimento econômico enfrenta renovadas pressões para baixo. Inclusive com políticas fiscais mais favoráveis, a atividade da construção seguirá em baixa nos próximos trimestres quando o recente 'boom' do desenvolvimento imobiliário for relaxado", apontou o analista Julian Evans-Pritchard em um relatório enviado aos associados.

A produção industrial, lembrou o ONE, é usada para medir a atividade de grandes empresas com um faturamento anual de pelo menos 20 milhões de iuanes (cerca de US$ 2,83 milhões).

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a produção industrial cresceu 5,8%, acrescentou a organização.

A produção manufatureira aumentou em julho 4,5%, um dado muito inferior aos 6,2% registrados em junho, enquanto a produção do setor mineiro aumentou 6,6% em julho, sete décimos a menos do que em junho.

O ONE ofereceu hoje também o dado do investimento de ativos fixos da China, que cresceu 5,7% nos primeiros sete meses do ano, um décimo a menos que no período compreendido entre janeiro e junho.

Hoje foi divulgado o dado das vendas no varejo de bens de consumo, que cresceram 7,6% em julho, contra os 9,8% de crescimento observados no mês anterior.

Os analistas acreditam que este número se deve à queda sofrida nas vendas de automóveis no mês passado.

Nos primeiros sete meses do ano, o indicador cresceu 8,3%, um décimo abaixo do que no primeiro semestre do ano.

Em relação ao futuro, o analista da Capital Economics ressaltou que uma desvalorização do iuane, a moeda chinesa, dificilmente compensaria os ventos contra o esfriamento da demanda global e as sobretaxas impostas pelos EUA a produtos chineses.

"Como resultado de tudo isto, esperamos uma maior desaceleração da atividade econômica durante o próximo ano", conclui Evans-Pritchard.

Washington anunciou na terça-feira que adiará parte das sobretaxas às importações chinesas previstas para setembro até 15 de dezembro, uma medida para aliviar tensões antes do início de outra rodada de negociações bilaterais no próximo mês.

O Escritório do Representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos (USTR, em sua sigla em inglês) determinou que as sobretaxas de 10% a "certos artigos" de importações chineses avaliados em US$ 300 bilhões que tinham que entrar em vigor em 1 de setembro devem ser atrasado até o 15 de dezembro.

Por sua vez, Pequim decidiu na semana passada deter a compra de produtos agrícolas americanos e permitiu que sua moeda caísse frente ao dólar a um nível não visto desde 2008.

Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu na sexta-feira que se o conflito contínuo, um potencial aumento de 25% nas sobretaxas americanas às importações de produtos chineses que ainda não foram castigados poderia reduzir o crescimento econômico do gigante asiático em 0,8 pontos percentuais no próximo ano.

Diante desta situação, o FMI recomendou ao Governo chinês que adote medidas fiscais para tentar proteger a economia. EFE

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