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Navio da ONG Open Arms entrará em águas italianas após decisão judicial

14/08/2019 14h32

Roma, 14 ago (EFE).- O navio da ONG Open Arms, com 147 migrantes a bordo, deve entrar nas próximas horas desta quarta-feira em águas italianas, depois que a justiça do país cancelou a proibição assinada pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, que impunha multas à organização em caso de descumprimento da medida.

O Tribunal Administrativo do Lácio, região central da Itália, cancelou nesta quarta-feira a proibição assinada por Salvini, já que "a situação de gravidade e urgência excepcional" justifica a permissão da entrada da embarcação "para que as pessoas resgatadas recebam a assistência médica necessária".

No entanto, Salvini respondeu imediatamente a esta decisão e informou desde Gênova que voltará a assinar outra proibição contra a entrada da embarcação nas próximas horas.

O navio da Open Arms está desde 1 de agosto em águas internacionais do Mediterrâneo à espera de que algum país europeu autorize um porto seguro para o desembarque de mais de cem migrantes resgatados em diferentes operações.

Atualmente, 147 pessoas estão a bordo, depois que nos últimos dias mais de dez migrantes foram evacuados por motivos de saúde.

A ONG tinha apresentado um recurso diante da Justiça italiana para solicitar o desembarque em Lampedusa, pois está atualmente a poucas milhas de distância.

Além disso, tinha advertido que nas próximas horas está previsto que as condições meteorológicas piorem.

O tribunal italiano acredita que o navio "esteja em uma situação de evidente dificuldade" e as pessoas a bordo necessitam receber assistência urgente, por isso, cancelou a proibição de Salvini.

A Justiça italiana cancelou só a proibição contra a embarcação da Open Arms, por isso que segue vigente o decreto de Salvini, que impõe sanções econômicas a ONGs com imigrantes a bordo que entrem, naveguem ou atraquem em águas territoriais.

Em um ato em Gênova, Salvini reiterou que mantém os portos do país fechado às organizações humanitárias.

"Vivemos em um país no qual um advogado do Tribunal Administrativo (da Região) do Lácio quer dar permissão para desembarcar na Itália um navio estrangeiro cheio de migrantes. Eu voltarei a assinar nas próximas horas meu 'não'", disse.

Além disso, Salvini falou que impedirá "o plano sobre voltar a abrir os portos italianos e transformar o país no campo de refugiados da Europa". EFE

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