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Jovem morta no RJ sonhava ser PM e teve 10 perfurações no corpo

Margareth Teixeira  - Reprodução/Facebook
Margareth Teixeira Imagem: Reprodução/Facebook
do UOL

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

14/08/2019 16h08

A jovem, Margareth Teixeira, de 17 anos, morta durante uma operação da PM na comunidade do 48, em Bangu, na zona oeste do Rio, deu entrada no hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, com cerca de dez perfurações provocadas por arma de fogo. A jovem estava com o filho, de um ano e dez meses no colo, que foi atingido de raspão. Os dois estavam a caminho da igreja quando começou um confronto entre policiais e bandidos. Margareth era estudante do 7º ano do ensino fundamental e a caçula de uma família com nove irmãos. Ela não trabalhava. Segundo a irmã, Mariana Teixeira, ela sonhava ser policial militar e ter uma casa própria.

"Ela tinha muito medo de morar lá. Morava em Caxias e se mudou com 15 anos mais ou menos. Ela morava num ponto bem perigoso onde ficavam os bandidos e por isso sempre tinha muito tiro lá. Minha irmã era uma menina feliz. Brincalhona. Todo mundo gostava dela. É uma irmã que não tenho nem palavras para descrever".

A ação da polícia ocorreu ontem à noite, mas a família só soube hoje que Margareth havia morrido. O marido, Daniel Martins, soube do que ocorreu após chegar na igreja e perceber que Margareth não estava lá.

Mariana disse que o último contato com a irmã ocorreu horas antes da operação. Margareth havia mandado fotos dela e do filho pelo celular.

De acordo com informações da secretaria municipal de Saúde, a vítima chegou morta na unidade por volta de 20h. O bebê foi baleado de raspão no pé esquerdo e na cabeça. Ele passou por cirurgia e apresenta quadro de saúde estável. O bebê está internado acompanhado da avó paterna.

Procurada, a PM informou que a operação foi realizada para coibir confrontos armados entre grupos rivais na comunidade. "Com aproximação dos policiais houve intenção reação armada de criminosos", informou a corporação. Dois suspeitos também morreram.

Na ação foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, uma granada, seis carregadores de fuzil, 12 carregadores de pistola, dois rádios transmissores, um cinto de guarnição e munições para pistola. O caso está registrado na 34ª DP (Bangu).

Cinco jovens mortos no Rio

Margareth foi a quarta jovem que morreu baleada em cinco dias no Rio de Janeiro. O adolescente Dyogo Costa Xavier de Brito, de 16 anos, foi enterrado ontem. Ele sonhava ser jogador de futebol e foi morto com um tiro nas costas durante operação policial na Favela da Grota, em Niterói, Região Metropolitana. Na mesma ação morreu também Henrico de Jesus Viegas, 19 anos.

Já o estudante Gabriel, que também queria ser jogador de futebol, foi atingido por uma bala perdida a caminho da escola, na Tijuca, zona norte do Rio.

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