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Conflitos em região da RDC já deixaram quase 2 mil mortos nos últimos 2 anos

14/08/2019 11h32

Nairóbi, 14 ago (EFE).- Os ataques e combates de centenas de grupos armados que convivem no nordeste da República Democrática do Congo (RDC) deixaram nos dois últimos anos quase 2 mil mortos, 100 vítimas de estupros em massa e mais de 3 mil pessoas sequestradas, indica um relatório divulgado nesta quarta-feira pela ferramenta de acompanhamento Kivu Security.

No "Congo, esquecido. Os números por trás da crise humanitária mais longa da África", a Kivu Security documenta entre 1 de junho de 2017 e 26 de junho de 2019 3.015 incidentes violentos nos quais houve 6.555 vítimas só nas províncias do Kivu do Norte e Kivu do Sul, duas das mais afetadas pela violência do nordeste do país.

Ou seja, nos últimos dois anos, nesta região da RDC houve uma média de quatro incidentes violentos por dia.

Esta ferramenta é um projeto conjunto da ONG Human Rights Watch e do Grupo de Pesquisa sobre o Congo (GEC) da Universidade de Nova York, que conta com 15 pesquisadores congoleses no terreno que falam com a população, autoridades e sociedade civil para documentar o que consideram uma "crise esquecida".

Entre os incidentes violentos documentados, o projeto fala de 1.897 civis mortos pela violência, 24 estupros em massa (com 100 vítimas) e 848 sequestros onde foram raptadas 3.316 pessoas.

Também houve 1.290 enfrentamentos entre diversos grupos ou entre grupos e o Exército. Isto quer dizer que houve quase dois enfrentamentos armados por dia.

A RDC é o segundo país com mais deslocados internos no ano passado, depois da Etiópia, e quase 13 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária.

No entanto, denuncia o relatório, "em 2018, o conflito do Congo só foi mencionado quatro vezes na capa do The New York Times, comparado com as 61 vezes do conflito sírio".

Segundo a Kivu Security a mineração tem um impacto na violência, mas mais pela luta por cobrança de impostos pela exploração de áreas e pelo controle das rotas de comércio.

Segundo os números apresentados por este projeto, no ano passado 8,38 civis foram assassinados por cada 100 mil pessoas que habitam no território de Kivu.

"Para colocá-lo em perspectiva, no estado nigeriano de Borno - o mais afetado pela violência do Boko Haram - teve uma taxa de mortalidade de 6,87 por cada 100 mil", exemplificou o relatório. No Iêmen, foi de 4,13.

Além disso, esta organização recolhe o aumento do número de grupos armados nesta região do país, que passaram de 70 em 2015 a mais de 130 no último censo realizado em 2019.

A maioria dos ataques ocorreu em zonas próximas à fronteira com Ruanda, Uganda e Burundi devido à presença de dezenas de grupos armados estrangeiros, e embora grande parte dos grupos atue em zonas rurais, aumentou muita a violência nas cidades, sobretudo em Goma, Butembo e Bukavu.

O epicentro da violência e onde ocorreram três de cada dez incidentes foi o território de Beni, no norte do Kivu do Norte, sobretudo pelos enfrentamentos entre o exército e a insurgência de ugandenses muçulmanos radicais das Forças Aliadas Democráticas (ADF), às quais são atribuídos pelo menos 272 assassinatos.

Por outro lado, mais de 700 militares congoleses morreram nos últimos dois anos, junto com um total de 73 "boinas azuis" da missão da ONU no país, a Monusco, desde que começou em 1999 com o nome de Monuc. EFE

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