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Quem está na comissão que avalia indicação de Eduardo Bolsonaro a embaixada

do UOL

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

13/08/2019 04h00Atualizada em 13/08/2019 18h41

Depois de receber a confirmação do governo americano para assumir o comando da embaixada do Brasil em Washington, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) está mais perto de chefiar a missão diplomática brasileira nos EUA. Sua indicação ainda precisa ser formalizada pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), em publicação no Diário Oficial da União, para que ele passe pelo crivo do Senado em sabatina.

Eduardo, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, deverá enfrentar a comissão homóloga no Senado, onde será questionado por 19 senadores que perguntarão sobre a formação dele e sua opinião sobre situações reais e até mesmo hipotéticas sobre os EUA e a relação do Brasil com o país, hoje considerado um aliado importante pelo Itamaraty.

Se for aprovado, o filho de Bolsonaro tem a chance de comandar a embaixada mais importante para a política externa brasileira hoje.

Na comissão, um dos senadores é escolhido como relator do caso, apresentando o currículo de Eduardo e um relatório sobre as competências do filho de Bolsonaro. Outro parlamentar é encarregado da leitura deste relatório. Antes da sabatina, o indicado pode fazer um breve discurso delineando suas prioridades para a função.

Após a sabatina, há uma votação secreta --e, até agora, o deputado federal não tem maioria dos votos. A votação, entretanto, tem caráter consultivo. Só depois desta votação é que a indicação do embaixador vai a plenário no Senado. Para ser aprovado, Eduardo precisará de mais da metade dos votos, e ao menos 41 dos 81 senadores devem estar presentes.

Veja quem são os senadores da comissão:

Nelsinho Trad (Podemos-MS)

Presidente da comissão, o ruralista já afirmou que Eduardo como embaixador daria sequência ao alinhamento que o governo Bolsonaro busca com os EUA. É ex-prefeito de Campo Grande (MS) e atualmente integra a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Marcos do Val (Cidadania-ES)

Reprodução- 18.fev.2019/Facebook/MarcosdoVal
Imagem: Reprodução- 18.fev.2019/Facebook/MarcosdoVal

Vice-presidente da comissão, já se manifestou publicamente contra a indicação de Eduardo. Chegou a afirmar que seria como "um adolescente pilotando um Boeing". O senador da bancada da bala é instrutor policial e consultor na área de segurança. Identifica-se como ex-instrutor da Swat, o grupo de elite da polícia americana, nos EUA e da unidade antiterrorismo da Nasa (a agência espacial americana).

Mecias de Jesus (PRB-RR)

Foi deputado federal por cinco mandatos e presidente da Assembleia Legislativa. Integrante da bancada da Bíblia, o senador de Roraima que tirou a vaga de Romero Jucá nas eleições do ano passado afirmou que "não seria adequado, mas não é ilegal" que Eduardo assuma a embaixada. Chegou a defender o fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela para conter o fluxo de refugiados do país vizinho.

Jarbas Vasconcelos (MDB-PE)

Advogado e ex-governador de Pernambuco, é um dos fundadores do MDB. Defende a reforma da Previdência, mas criou o "Movimento Ética e Democracia" em resposta às últimas declarações do presidente de "despreparo ou desrespeito por quem ocupa o mais alto cargo do nosso país" --em referência às afirmações de Bolsonaro sobre o pai do presidente da OAB.

Ciro Nogueira (PP-PI)

Presidente do PP, o advogado é réu na Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Em 2014, foi criticado pelo Bolsonaro pai e pelo filho aspirante a embaixador por seu apoio à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) --em abril deste ano, foi recebido pelo presidente da República. A expectativa é a de que ele esteja alinhado com os votos pró-Eduardo.

Antonio Anastasia (PSDB-MG)

O senador tucano foi derrotado por Romeu Zema (Novo) na disputa pelo governo de Minas no ano passado. Ex-governador mineiro, o aliado de Aécio Neves foi relator do processo de impeachment no Senado, que cassou o mandato de Dilma em 2016. Evita se posicionar sobre a indicação do filho de Bolsonaro.

Mara Gabrilli (PSDB-SP)

Reprodução/PSDB
Imagem: Reprodução/PSDB

Publicitária, a cadeirante é filha de um dos empresários de ônibus que relatou casos de extorsão praticada pela prefeitura de Santo André, no ABC, durante a gestão de Celso Daniel, assassinado em 2002. Durante a campanha para o Senado, no ano passado, não declarou voto em Bolsonaro, mas disse que acha que ele pode melhorar suas ideias e propostas. Recentemente, afirmou que Eduardo não tem "histórico diplomático, tampouco currículo técnico para assumir a principal embaixada do Brasil".

Major Olímpio (PSL-SP)

Bruno Rocha/Foto Arena/Estadão Conteúdo
Imagem: Bruno Rocha/Foto Arena/Estadão Conteúdo

Entre 2006 e 2019, passou pelo PV, PDT, PMB, SD e hoje está no PSL. Policial militar foi o senador mais votado do país no ano passado. Braço direito da campanha de Bolsonaro, o representante da bancada da bala chamou as críticas sobre as qualificações do deputado federal como "mimimi" e lembra que Bolsonaro pode indicar o filho segundo a legislação.

Marcio Bittar (MDB-AC)

Integrante da bancada ruralista, o agropecuarista é autor de um artigo em parceria com um irmão de Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), em que ambos afirmam que o aquecimento global é "discurso apocalíptico" para "gerar emoções" e propôs o fim da reserva legal em propriedades rurais, revogando artigo do Código Florestal. Já deu declarações de que apoiaria a indicação do deputado federal para a embaixada.

Esperidião Amin (PP-SC)

Foi governador de Santa Catarina e prefeito de Florianópolis antes de assumir o mandato de senador. Em declarações à imprensa, já afirmou que é amigo de Bolsonaro, mas nem sempre concorda com o presidente. Votou, por exemplo, contra o decreto de armas.

Kátia Abreu (PDT-TO)

A ruralista foi candidata à vice na chapa de Ciro Gomes à Presidência ano passado. Foi a primeira mulher a liderar a bancada ruralista no Congresso e a chefiar o Ministério da Agricultura. Foi ainda presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e defendeu a ex-presidente Dilma durante o impeachment. Deve votar contra a indicação de Eduardo.

Fernando Collor (Pros-AL)

Eduardo Anizelli/Folhapress
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto no país e o primeiro presidente a sofrer impeachment. Envolvido em casos de corrupção, Collor responde por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e comando de organização criminosa na Operação Lava Jato.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Professor universitário e líder da oposição na casa, já ameaçou levar a indicação de Eduardo à Justiça e chamou-a de "escárnio", "vergonha" e "nepotismo descarado". É contra as propostas de mineração em áreas indígenas. Apoiador dos procuradores da Lava Jato e de outros integrantes do MPF (Ministério Público Federal), chegou a figurar como investigado na operação após ser mencionado por dois delatores e supostamente aparecer na planilha de propinas da Odebrecht.

Jaques Wagner (PT-BA)

Heuler Andrey/AFP
Imagem: Heuler Andrey/AFP

Próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador da Bahia foi ex-ministro-chefe da Casa Civil, da Defesa, das Relações Institucionais e do Trabalho nos governos Lula e Dilma. Deve votar contra a indicação de Eduardo.

Angelo Coronel (PSD-BA)

Ex-Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, tem se manifestado contra a indicação de Eduardo, chamando-a de "terrível". Segundo ele, o deputado federal não tem qualificações para ser embaixador. Recentemente, apresentou requerimentos para que a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) ouçam o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol.

Chico Rodrigues (DEM-RR)

Ex-governador de Roraima, o ruralista e vice-líder do governo Bolsonaro no Senado apoia publicamente a indicação de Eduardo e é favorito para a relatoria do caso. Um dos primos do deputado é funcionário de seu gabinete.

Zequinha Marinho (PSC-PA)

Ex-vice-governador do Pará e aliado de Jader Barbalho (MDB), o integrante da bancada da Bíblia recentemente afirmou que Eduardo "tem condições" de ser embaixador.

Romário (Podemos-RJ)

Renato Costa/folhaPress
Imagem: Renato Costa/folhaPress

O ex-jogador de futebol e campeão da Copa de 1994 defende pautas ligadas ao esporte e aos portadores de deficiência. Afirmou que Eduardo, como embaixador nos EUA, poderia receber um tratamento diferente do governo americano por ser filho do presidente brasileiro.

Humberto Costa (PT-PE)

Médico, foi ministro da Saúde no governo Lula e hoje atua como líder do PT no Senado. Assumiu a 19ª vaga na comissão no meio de agosto. Já afirmou que o Senado deveria rejeitar Eduardo na embaixada, afirmando que a indicação virou " chacota no mundo"

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