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Como levar crianças e animais com segurança em seu carro durante as férias

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Imagem: Getty Images
do UOL

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL

19/07/2019 07h00

Transportar crianças em veículos sem o assento adequado, as chamadas cadeirinhas, ameaça a segurança de todos os que estão no automóvel. O mesmo pode ser dito sobre levar seu animal de estimação solto pelo carro. Em ambos os casos, isso pode ocasionar ferimentos graves ou mesmo morte em acidentes. E ainda ferir os demais passageiros durante o deslocamento.

Segundo dados do DataSUS de 2016, quatro crianças morrem por dia no trânsito brasileiro. Por esta razão, os passageiros infantis devem usar assentos específicos de acordo com a idade - caso contrário, constitui infração gravíssima. Já os animais de estimação devem estar em dispositivos de retenção específicos ou o motorista estará cometendo infração grave.

Pensando nisso, o UOL Carros mostra como transportar a criançada e a bicharada com segurança nessas férias.

Crianças de até um ano

O chamado "bebê conforto" é o indicado para recém-nascidos e crianças até o primeiro ano de vida - ou até os 13 kg. O assento tem que estar preso ao cinto de segurança conforme instruções do manual do fabricante e virado de costas para o motorista, de preferência na parte central do banco traseiro. Nesta posição, se houver um acidente e o corpo do bebê for deslocado, sua coluna cervical estará mais protegida durante o movimento abrupto ocasionado pela colisão.

De 1 a 4 anos

Para estas idades entra em cena a usualmente chamada "cadeirinha". Nestes casos, o assento tem que ficar voltado para a frente e em posição vertical. O dispositivo geralmente deve ser atado ao cinto do carro, enquanto o pequeno precisa estar preso ao cinto da cadeirinha. É fundamental ler o manual de instruções do fabricante do equipamento antes da viagem.

Isofix

Elas são mais caras, mas muito práticas - ainda mais para quem precisa ficar trocando as cadeiras de um carro para o outro. A maioria dos automóveis vendidos no país já tem os padrões de encaixe para os assentos do tipo Isofix. As cadeirinhas com este tipo de recurso já vêm com engates metálicos que se prendem diretamente à estrutura do veículo, oferecendo muito mais firmeza e segurança.

Assento de elevação

Este também é prático, mas só voltado para a criançada maior, com pelo menos 1,45 metro de altura e entre 15 kg e 36 kg de peso. Também conhecido como booster, trata-se de um banquinho que permite que a criança fique na altura do cinto de segurança do veículo, sem o perigo de escorregar e machucar o pescoço em uma batida ou freada brusca. Mas atenção: o assento só pode ser utilizado no banco traseiro do carro e apenas com cintos de três pontos.

No colo, não!

Não acredite que você tenha força suficiente para segurar seu filho em um deslocamento abrupto durante um acidente automobilístico. Mesmo que o adulto esteja preso ao cinto de segurança, a criança que está no colo vai escorregar pelos braços e se ferir gravemente.

Risco de morte

Estudos mostram que uma criança de 15 kg solta dentro do carro vai se transformar em uma força de impacto de 1,5 tonelada em caso de uma colisão com o veículo a uma velocidade de 70 km/h. Isso significa que o pequeno pode morrer ao bater nos vidros e colunas do carro, ou mesmo nos bancos e em outros passageiros. E, com a força deste deslocamento, ainda vai ferir gravemente as outras pessoas, seja colidindo diretamente com o corpo delas dentro da cabine ou mesmo empurrando o encosto do banco dianteiro contra o painel.

"A criança tem proporção de cabeça maior e essa parte do corpo acaba sendo a que se projeta com mais força em uma colisão. O acidente tende a ser fatal, já que a estrutura óssea de uma criança não é tão resistente como a de um adulto", alerta o médico Alberto Sabbag, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

Cinto para todos

Também não adianta nada ter um adulto sem cinto de segurança no carro, inclusive no banco traseiro. Ele vai se deslocar do mesmo jeito em uma batida e pode esmagar a criança que estiver na cadeirinha ou no booster.

Entretenimento

Crianças são naturalmente impacientes. Se a viagem for longa, programe paradas a cada 1h30 para quebrar a monotonia. Deixe um adulto no banco de trás e tente fazer brincadeiras interativas durante a viagem, como jogos de adivinhação ou mesmo de observação de outros carros e do ambiente da estrada. Nos trechos de serra e curva faça com que o pequeno não olhe para baixo, para evitar náuseas. Não deixe que a criança coma balas, chicletes e pirulitos enquanto o carro está em movimento, já que ela pode se engasgar em uma freada forte ou em uma batida.

Multimídia: só original

Evite usar suportes para tablets ou celulares para exibir vídeos para as crianças - daqueles que são presos ao encosto de cabeça do banco dianteiro ou à janela. Peças não homologadas ou não projetadas para aqueles veículos se soltam com facilidade em uma colisão e podem ferir a criança e os demais passageiros.

Bicho preso

Animal de estimação não deve ficar solto no carro. Além de poder pular para a frente e surpreender o motorista, causando acidentes, em uma colisão ele vai se deslocar, se ferir e machucar os demais ocupantes do carro. Há diferentes dispositivos de retenção veiculares específicos para cães e gatos: cinto peitoral atrelado ao cinto do carro, cesta maleável e gaiolas de fibra que são fixadas ao cinto. Também existem acessórios que transformam o porta-malas de hatches e SUVs em um mini canil.

Veterinário

Consulte o veterinário antes da viagem. Animais também ficam estressados em deslocamentos de carro e uma medicação prévia pode deixar o bichinho mais calmo.

Outras infrações

Carros com pessoas, animais ou volumes à esquerda do motorista, ou mesmo entre os braços e pernas do condutor, estão cometendo infração média pelo CTB. Já o transporte de pessoas ou animais em caçambas de picapes é considerado infração grave.

Fique atento

Lembre-se que todo e qualquer objeto solto dentro do carro, em caso de colisão, vai se deslocar com uma força descomunal e com até 50 vezes a mais de peso. Ou seja, vira uma arma contra os outros passageiros. "Existe uma energia armazenada em cada corpo com o carro em movimento que é liberada e tem uma força de impacto centenas de vezes multiplicada quando ocorre a desaceleração. Um celular ou uma garrafa soltos no habitáculo viram uma bala de canhão", adverte Sabbag.

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