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Oposição quer criar CPI sobre suposto apoio russo a Salvini

16/07/2019 18h45

MOSCOU E ROMA, 16 JUL (ANSA) - A oposição protestou nesta terça-feira (16) na Câmara dos Deputados para pressionar o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, a prestar esclarecimentos sobre supostas negociações entre seu partido, a ultranacionalista Liga, e representantes russos.   

O caso estourou na semana passada, quando o site BuzzFeed revelou que um ex-porta-voz de Salvini, Gianluca Savoini, falara abertamente com dois cidadãos russos sobre um repasse milionário para a Liga.   

A conversa ocorreu no Hotel Metropol, em Moscou, em outubro de 2018, durante uma visita oficial do ministro do Interior ao país. No diálogo, Savoini e dois russos discutem a criação de um fundo de US$ 65 milhões a ser usado pela Liga nas eleições europeias de maio passado, com recursos obtidos da venda de petróleo para a estatal italiana ENI.   

Não se sabe, no entanto, se a negociação chegou a ser concluída.   

Salvini diz que seu partido nunca recebeu dinheiro da Rússia, e o Kremlin afirmou à ANSA que jamais ofereceu suporte financeiro a legendas políticas na Itália. A oposição, por sua vez, tenta aumentar a pressão sobre Salvini e obrigá-lo a comparecer ao Parlamento para esclarecer as negociações conduzidas por Savoini. Até o momento, no entanto, o ministro não se ofereceu para ir à Câmara, a não ser em sua sabatina quinzenal, na qual ele fala sobre todos os assuntos.   

"A escolha do ministro humilha o Parlamento", disse o líder do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) na Câmara, Graziano Delrio, após uma reunião com todas as legendas com assento no Parlamento.   

Já no Senado, membros do PD apresentaram um projeto para instituir uma comissão parlamentar de inquérito "sobre as tratativas entre expoentes do partido Liga e pessoas de nacionalidade russa, a fim de obter financiamentos para a campanha das eleições europeias".   

"Não é prerrogativa de um ministro subtrair-se à vontade de um Parlamento que pede para escutá-lo", afirmou o líder do PD e governador do Lazio, Nicola Zingaretti. Os apelos da oposição encontraram eco até no antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), aliado da Liga no governo.   

"Na minha visão, o vice-primeiro-ministro deve ir ao Parlamento explicar a questão da Rússia", disse o também vice-premier Luigi Di Maio, líder do M5S. Savoini já foi interrogado pelo Ministério Público de Milão, que o investiga por "corrupção internacional", mas não respondeu a nenhuma pergunta.   

Antigo militante de extrema direita e membro da Liga desde 1991, quando o partido defendia a autonomia de parte do norte da Itália, Savoini se tornou porta-voz de Salvini em 2013, após sua eleição como secretário federal da legenda ultranacionalista.   

Ele exerceu a função por cerca de dois anos, mas depois continuou como conselheiro do atual ministro do Interior, especialmente para questões ligadas à Rússia. Savoini é tido como artífice do acordo de colaboração entre a Liga e o Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, assinado em 2017.   

O ex-porta-voz também esteve em um jantar de gala oferecido a Putin em Roma, em 4 de julho passado, evento que teve as presenças de Salvini e Di Maio. Savoini se defende afirmando que as acusações contra ele são um "ataque político" ao ministro do Interior e que nunca houve repasse russo para a Liga. (ANSA)
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