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Navio da ONG Sea Watch com imigrantes continua retido na Itália

2019-06-27T09:31:00

27/06/2019 09h31

Roma, 27 jun (EFE).- O navio da ONG alemã Sea Watch com 42 migrantes continua retido nesta quinta-feira em frente ao litoral da ilha de Lampedusa, na Itália, após ter violado a proibição de entrar em águas territoriais italianas.

A embarcação Sea Watch 3, de bandeira holandesa, está a três milhas (cerca de 5 quilômetros) do litoral, em frente ao monumento conhecido como "Porta de Lampedusa, Porta da Europa", em memória aos migrantes mortos na viagem ao continente europeu, segundo mostra a imprensa local.

Dentro da embarcação estão 42 migrantes salvos em 12 de junho no Mediterrâneo Central (a princípio eram 53, mas os outros foram desembarcados por razões médicas) e passaram duas semanas no mar, à espera de um porto para desembarcar.

A tripulação se nega a devolver estas pessoas à Líbia, ao não considerar um país seguro, e durante a noite não receberam a autorização para desembarcar em território italiano, confirmaram à Agência Efe fontes da organização.

A ONG exigiu hoje o desembarque dos migrantes e, em mensagem no Twitter dirigida à União Europeia (UE), afirmou que "não se pode esperar mais".

"O desespero das pessoas não é uma coisa com que se possa brincar", advertiu a ONG, em alusão ao estado dos resgatados.

"Passaram-se 23 horas desde que entramos em águas italianas por necessidade. Nos vimos obrigados porque por duas semanas nenhuma instituição da UE assumiu a responsabilidade. Devemos continuar sozinhos ou há alguém que lembre do dever de proteger a vida no mar?".

A Itália mantém uma política de portos fechados às embarcações de ONGs impulsionada pelo ministro do Interior, o ultradireitista Matteo Salvini, que as acusa de favorecer a imigração ilegal.

Ontem, a capitã da Sea Watch 3, a alemã Carola Rackete, de 31 anos, quebrou a proibição de Salvini e entrou em águas italianas sem permissão para levar os migrantes ao porto, embora a embarcação tenha sido retida pouco depois por policiais.

"As autoridades italianas subiram a bordo, fomos parados fora do porto de Lampedusa. Controlaram a documentação do navio e nossos passaportes. Agora esperam instruções de seus superiores. Espero que desembarquem os imigrantes em breve", disse Carola no Twitter.

Salvini, visivelmente irritado, exigiu dos Países Baixos e da Alemanha, países de bandeira da embarcação e da ONG respectivamente, que assumam a responsabilidade e distribuam os migrantes, e hoje acusou de novo a organização de fazer "política" com o resgate.

"A Sea Watch fez uma campanha política às custas da segurança de 42 pessoas. Em 15 dias, poderiam ter chegado aos Países Baixos duas vezes. Rejeitaram os portos seguros mais próximos. As ONGs ajudam os traficantes de seres humanos", tuitou hoje o ministro.

Depois, em entrevista, expressou o desejo de que as autoridades judiciais emitam uma ordem de detenção contra a tripulação do navio por ter entrado sem permissão em águas italianas.

Por sua vez, a extrema-direita italiana pede que a tripulação seja detida, os migrantes deportados e a embarcação afundada, enquanto a esquerda e grupos de Direitos Humanos dão demonstrações de solidariedade.

A Rede Antifascista da Itália arrecadou 50 mil euros em doações através da internet para que a Sea Watch pague as possíveis multas por entrar em águas territoriais do país. EFE

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