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Cassada por caixa 2, senadora 'Moro de saia' é indicada ao Conselho de Ética

Selma Arruda juíza de Mato Grosso eleita senadora pelo PSL - Rai Reis - 23.fev.16/Folhapress
Selma Arruda juíza de Mato Grosso eleita senadora pelo PSL Imagem: Rai Reis - 23.fev.16/Folhapress

Renato Onofre

Brasília

26/06/2019 15h34

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), apresentou o nome da senadora Juíza Selma Arruda (PSL-MT) para presidir o Conselho de Ética da Casa. A indicação foi apresentada pelo partido do presidente Jair Bolsonaro e ratificada por Alcolumbre.

Conhecida pelo discurso anticorrupção, em abril, a senadora foi cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), por 7 votos a 0, por caixa dois e abuso de poder econômico. Ela foi acusada de ter gasto R$ 1,2 milhão em valores não declarados à Justiça Eleitoral para se eleger ao Senado.

Selma nega irregularidades e recorre da decisão --enquanto isso a parlamentar pode se manter no cargo.

Para o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o caso não tem influência na atuação da colega de partido. O filho do presidente afirmou que ela "tem o perfil" para a vaga por ter sido juíza.

Como ainda está correndo esse processo, eu acredito na palavra dela que não houve dolo por parte da candidata e que não influenciou no resultado das eleições. Ela ganhou no voto, em campo, sem se aproveitar de nada. Então tem minha total confiança e apoio

Flávio Bolsonaro, senador (PSL-RJ)

Selma ficou conhecida por condenar, quando era juíza estadual, figurões da política mato-grossense e chegou a ser chamada de "Moro de saia". Colega de partido do presidente Jair Bolsonaro, ela foi a mais votada na disputa ao Senado em Mato Grosso no ano passado.

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Segundo investigação do Ministério Público Eleitoral, a chapa da senadora utilizou R$ 855 mil na pré-campanha e R$ 375 mil durante a campanha sem declarar. Os valores foram usados em serviços como publicidade, pesquisas eleitorais e consultoria jurídica. Os recursos não foram informados na prestação de contas da chapa da senadora, omissão que o TRE-MT considerou ilegal.

A senadora negou que tenha cometido irregularidades e justificou que os valores apontados como não declarados foram usados antes do início da campanha, quando a lei não obriga a prestação de contas dos gastos.

Nas últimas duas décadas, o Conselho de Ética foi controlado pelo MDB. Criado em 1993, cassou três senadores neste período. O mais recente foi o ex-senador Delcídio do Amaral, que perdeu o mandato em 2016 após envolvimento no esquema de corrupção da Lava Jato. Além dele, foram cassados Demóstenes Torres, em 2012, e Luiz Estevão, em 2000.

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