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Advogado de irmã de pastor morto vê negligência de família de Flordelis

Câmeras de segurança mostram como foi a noite do assassinato do pastor

UOL Notícias
do UOL

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

2019-06-26T13:49:05

26/06/2019 13h49

A irmã do pastor evangélico Anderson do Carmo, 42, assassinado em casa a tiros há dez dias, vai prestar depoimento hoje na Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

A informação foi confirmada pelo advogado Angelo Máximo, que representa a irmã do pastor, Michele do Carmo de Souza, e outros familiares de Anderson. Ela presta depoimento na condição de testemunha por conta da relação com a vítima.

Questionado pelo UOL, o advogado disse acreditar que a família da deputada federal Flordelis (PSD-RJ), que era casada com o pastor, está negligenciando informações sobre o caso. "Não só eu acho como o Ministério Público também acha", afirmou.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, no domingo, o promotor Sérgio Lopes Pereira, do MPRJ, afirmou que "se matam um ente querido, você quer saber quem matou esse ente querido e a forma de saber é colaborando com as investigações. E nós não estamos vendo isso, infelizmente, por parte da família".

O assessor jurídico de Flordelis, Fabiano Leitão Migueis, negou que a deputada estivesse prejudicando as investigações. A parlamentar concedeu uma entrevista coletiva na tarde de ontem, um dia após prestar depoimento por cerca de 9h30 na Divisão de Homicídios.

O advogado da irmã de Anderson evitou, entretanto, detalhar a questão sobre a ausência de colaboração no contexto das investigações por parte da deputada, acrescentando que tudo será narrado às autoridades policiais por Michele no depoimento que será prestado hoje.

O celular do pastor evangélico permanece desaparecido, assim como o de Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis e enteado de Anderson, que é apontado pela polícia como o suspeito de ter dado seis tiros na vítima. A deputada já alegou que não sabe sobre o paradeiro do aparelho.

Segundo informações da TV Globo, o aparelho foi usado horas depois da morte por um dos 55 filhos do casal. Ele teria repassado informações da morte de Anderson a grupos evangélicos em um aplicativo de mensagens. A identidade do filho não foi revelada.

Dois filhos do casal estão presos na DH e são considerados suspeitos formais pela polícia. Além de Flávio, cujo advogado Anderson Rollemberg nega que tenha ocorrido a confissão, Lucas dos Santos, 18, é apontado pela polícia como o responsável por obter a arma calibre 9mm - que, por sua vez, foi achada em cima do armário no quarto usado por Flávio dentro da casa da deputada e do pastor evangélico.

Há três dias, a defesa de ambos tenta uma transferência da DH, onde os suspeitos estão presos, para a cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica. O advogado Flavio Crelier, que representa Lucas, disse que "foi pedido porque eles estão em condição insalubre, sem alimentação decente, sem higiene devida. Estão sem tomar banho. A transferência é o mínimo da condição existencial [dos presos]".

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil disse que o inquérito que investiga a morte do pastor corre em sigilo.

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