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Documentos revelam mais US$ 10 milhões em propinas da Odebrecht no Peru

2019-06-26T14:43:00

26/06/2019 14h43

Lima, 26 jun (EFE).- Uma nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou nesta quarta-feira que o Setor de Operações Estruturadas da empresa brasileira Odebrecht registrou 45 pagamentos de propina que somam mais de US$ 10 milhões em 11 projetos públicos realizados no Peru.

A investigação divulgada no Peru pelo portal "IDL-Reporteros" revelou que "quase todas as transações registradas nas planilhas que vazaram não apareciam nas confissões nem nas delações premiadas da Odebrecht, nem no Brasil, nem nos Estados Unidos, nem no Peru".

As planilhas do Setor de Operações Estruturadas revelam que todos os pagamentos eram ilegais e que a grande maioria tinha sido processada através das offshores e o dinheiro desse escritório de propinas, afirmou o "IDL-Reporteros".

No caso do Peru, aparecem operações de pagamento clandestino vinculado a projetos que até agora não tinham sido sequer mencionados nos acordos de delação ou de indenização, segundo o portal.

A documentação obtida pelos veículos de imprensa envolvidos na investigação do ICIJ foi analisada no Peru pelos portais jornalísticos "IDL-Reporteros" e "Convoca".

Só no projeto do Gasoduto do Sul (antes Kuntur), concedido no governo de Ollanta Humala (2011-2016), houve 19 pagamentos de propina a diferentes codinomes, ou sobrenomes, vinculados a essa obra entre 15 de abril e 12 de novembro de 2014, numa soma total de mais de US$ 3,2 milhões.

O "IDL-Reporteros" identificou dois dos beneficiados nesta obra, um dos quais seria o vice-governador da província do Callao Constantino Galarza e um ex-executivo de Odebrecht na Argentina Daniel Díaz.

Humala atualmente responde a processos pelas supostas doações da Odebrecht à sua campanha eleitoral de 2011.

As planilhas da empreiteira também revelou o pagamento de US$ 1,8 milhão em 2014 para a concessão das linhas 1 e 2 do metrô de Lima, obtida no governo do ex-presidente Alan García, que se suicidou quando ia ser detido por estas investigações.

Já a obra da rodovia Costa Verde del Callao foi concedida pelo ex-governador do Callao Félix Moreno, que teria pedido uma propina de US$ 4 milhões, segundo confessou o ex-superintendente da Odebrecht no Peru Ricardo Boleira.

O portal de notícias informou que a Odebrecht recebeu um questionário do ICIJ sobre estas descobertas, mas decidiu não respondê-lo porque, segundo argumentou, seu dever é se comunicar primeiro de forma reservada com as procuradorias.

No entanto, segundo fontes dignas do "IDL-Reporteros", a Odebrecht teria sugerido aos procuradores da Equipe Especial no Peru uma nova roda de declarações no Brasil, com o ex-gerente no Peru Jorge Barata e Boleira para "decodificar" e explicar as informações obtidas. EFE

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