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Colômbia reduz produção de cocaína por ameaças de Trump

Matthew Bristow

2019-06-26T14:02:29

26/06/2019 14h02

(Bloomberg) -- A Colômbia interrompeu cinco anos de aumento na produção de cocaína, segundo o governo dos EUA, reduzindo o risco de que o presidente Donald Trump siga com sua ameaça de cortar ajuda e empréstimos ao país.

A produção potencial de cocaína caiu 1,4% no ano passado, para 887 toneladas, em relação ao recorde de 900 toneladas em 2017, de acordo com o relatório anual da Secretaria de Política Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca.

A produção da droga na Colômbia mais do que quadruplicou entre 2012 e 2017, de acordo com dados dos EUA, levando violência ao campo e provocando ameaças de Trump de que os EUA poderiam retirar a Colômbia como parceira na guerra contra as drogas. Isso colocaria o aliado mais próximo dos EUA na América do Sul na mesma categoria da Venezuela e excluir o país de ajuda e empréstimos.

O relatório da Casa Branca vai trazer alívio para o governo do presidente Ivan Duque, que intensificou os programas de erradicação depois de assumir o cargo em agosto passado.

Duque quer retomar a pulverização aérea com herbicida de plantas de coca, de cujas folhas a droga é extraída. O governo anterior suspendeu a medida em 2015, após um relatório da Organização Mundial de Saúde afirmar que o herbicida glifosato provavelmente seria cancerígeno.

Duque enfrenta desafios políticos e legais para retomar a pulverização e, enquanto isso, o governo está enviando equipes de civis para desenterrar à mão os arbustos de coca, acompanhados por policiais. Os grupos armados ilegais que lucram com o comércio às vezes atacam à tiros as equipes de erradicação e plantam minas terrestres nos campos de coca. Pelo menos 11 pessoas morreram e 84 ficaram feridas em operações para erradicar a coca este ano.

O aumento na produção também foi atribuído a uma variedade de outras causas, incluindo a queda no preço do ouro, que cortou os lucros da mineração ilegal, outra grande fonte de renda da máfia, e o peso mais fraco, que aumentou o valor das exportações de cocaína em moeda local.

Mesmo após a queda na produção no ano passado, a Colômbia ainda produz mais cocaína do que o Peru e a Bolívia juntos, e mais do que na década de 1980 e no início dos anos 90, quando o cartel de Medellín de Pablo Escobar espalhava terror.

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