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Glenn defende mensagens: 'Moro não diz o que teria sido adulterado'

do UOL

Guilherme Mazieiro e Vanessa Alves Baptista

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

2019-06-25T16:52:49

2019-06-25T21:45:09

25/06/2019 16h52Atualizada em 25/06/2019 21h45

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald disse nesta tarde (25) que o ministro Sergio Moro (Justiça) está usando uma tática "cínica" para tentar enganar a população sobre o conteúdo de diálogos vazados pelo site The Intercept Brasil, do qual é um dos fundadores.

"Moro não está defendendo o comportamento que ele teve, porque é impossível ele defender. Ele está fazendo algo diferente, uma tática muito cínica, ele está tentando enganar o público, dizendo que o material é falso", disse. "O interessante é que nenhuma vez Moro disse que qualquer coisa que estamos publicando foi alterada ou não é autêntica. Ele está sempre dizendo "poderia ser alterado."

Nas mensagens divulgadas pelo site, o ex-juiz federal dá orientações ao procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Greenwald, que está sendo ouvido pela comissão de Direitos Humanos da Câmara, afirmou que o material é autêntico e que continuará a ser divulgado e que Moro não poderá fazer nada para evitar essas revelações.

Moro e Deltan sabem que o material é autêntico. Eles sabem disso muito bem

Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil

O jornalista comparece à Câmara uma semana após Moro prestar esclarecimentos no Senado. Greenwald reafirmou que recebeu o conteúdo que divulga de uma fonte secreta e que checou a autenticidade do material --ele não diz se as conversas foram obtidas por um hacker ou não.

No Senado, o ministro da Justiça disse que pode ter sido autor de "algumas" das mensagens publicadas pelo site, mas não esclareceu quais seriam. Segundo ele, seria impossível confirmar a autenticidade dos diálogos porque ele excluiu o aplicativo Telegram de seu aparelho em 2017 e não teria guardado o histórico de conversas.

A força-tarefa da Lava Jato também não reconhece as mensagens como autênticas, mas também não apontou indícios de fraude nos diálogos revelados.

Moro era também esperado na Câmara amanhã (26), mas adiou a ida à Casa em razão de uma viagem oficial aos EUA. A ausência do ministro foi criticada pelos deputados de oposição hoje.

Deputada pede que Glenn mostre áudios e ele diz que ela vai se arrepender

UOL Notícias

Deputada pede divulgação de áudios, e Glenn diz que ela vai se arrepender

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) perguntou ao jornalista por que ele não divulga os áudios que o Intercept diz ter recebido de forma anônima. "Onde estão os áudios que você diz que tem? Pode tocar o áudio aqui e agora, desafio o Glenn a tocar o áudio", disse a congressista. Em seguida, ela defendeu o ministro. "Pedir a renúncia de Moro? Que cara de pau [Glenn] vir aqui falar isso."

Em resposta ao questionamento, o jornalista disse que áudios são mais trabalhosos de serem divulgados do que textos e disse que a deputada "vai se arrepender". "Com certeza, vamos soltar [os áudios] quando o material estiver pronto jornalisticamente, com responsabilidade, e acho que você se arrepender muito do desejo de que nós façamos isso."

Mais cedo, a deputada Katia Sastre (PL-SP) chegou a sugerir a prisão de Glenn. Ela disse que, se as informações "são falsas", o jornalista deveria sair preso da comissão. A declaração causou tumulto no plenário.

Já a deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirmou que, se Glenn não comprovar a autenticidade das mensagens, ele é "mentiroso", e se forem verdadeiras, ele é "criminoso" por divulgar mensagens privadas.

O jornalista reafirmou que o material teve autenticidade comprovada e que o jornal Folha de S.Paulo, que obteve acesso às mensagens por meio do Intercept, também não detectou indícios de que o conteúdo possa ter sido adulterado. A Constituição brasileira garante o sigilo de fontes aos jornalistas.

O boato de que ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) teria aberto mão do seu mandato por dinheiro, para que desta forma David Miranda (PSOL-RJ), marido de Glenn, assumisse uma vaga na Câmara Federal também foi citado pelos deputados da base aliada.

José Medeiros (Podemos-MT) perguntou ao jornalista se ele fez algum "acordo financeiro para que o deputado Jean Wyllys renunciasse" em favor do "parceiro sexual" dele.

A declaração causou reação dos deputados presentes, e o presidente da comissão, Helder Salomão (PT-ES), disse que pediria que a afirmação "parceiro sexual" fosse retirada das notas taquigráficas da audiência.

Glenn respondeu que "teorias da conspiração são graves e que merecem atenção" do Congresso. Sobre sua homossexualidade, afirmou "meu marido é meu marido, e essa obsessão por nossa vida sexual é estranha".

Glenn Greenwald foi convidado a prestar esclarecimentos à comissão de Direitos Humanos. O requerimento foi feito pelos deputados Camilo Capiberibe (PSB-AP), Carlos Veras (PT-PE), Márcio Jerry (PCDOB-MA) e Tulio Gadelha (PDT-PE)

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