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Nissan deve apoiar ex-braço direito de Ghosn em meio a desgaste com Renault

Behrouz Mehri/AFP
Hiroto Saikawa, CEO da Nissan, apresenta resultados financeiros na sede da companhia, em Yokohama (Japão) Imagem: Behrouz Mehri/AFP

Naomi Tajitsu e Maki Shiraki

Em Tóquio (Japão)

2019-06-24T14:48:05

24/06/2019 14h48

Os acionistas da Nissan devem apoiar o presidente-executivo da companhia, Hiroto Saikawa, em uma reunião geral anual marcada para amanhã, ampliando seu tumultuado mandato em uma montadora abalada pelo escândalo e pela perda de confiança da parceira Renault.

A segunda maior montadora do Japão realizará a sua primeira reunião anual de acionistas desde a queda do ex-presidente Carlos Ghosn no ano passado, e poucos dias depois de Saikawa resolver uma disputa altamente divulgada com sua maior acionista Renault sobre reformas de governança corporativa da Nissan.

Embora essa manobra tenha ajudado a retirar a aliança Nissan-Renault da beira da crise, o ex-braço direito de Ghosn enfrenta agora a pouco invejável tarefa de tentar sustentar uma parceria de duas décadas que muitos no Japão consideram desequilibrada, profundamente desigual e cheia de desconfianças dos dois lados.

"A coisa mais importante é a maneira de mitigar os danos... como fortalecer a aliança. Acho que ambas as empresas precisam fazer seus melhores esforços para superar a desconfiança", disse uma pessoa familiarizada com o pensamento da Nissan.

A parceria chegou a seu nível mais baixo neste mês, quando a Renault exigiu que seu presidente fosse indicado para o recém-formado comitê de governança da Nissan. Caso contrário, a Renault sinalizou que bloquearia a Nissan de adotar sua nova estrutura de governança - efetivamente arruinando meses de trabalho de um órgão externo.

A Renault, de longe a menor das duas, detém 43,4% da Nissan após resgatá-la à beira da falência em 1999. A Nissan detém 15% da empresa francesa, mas sem direito a voto. Essa relação desigual tem sido uma fonte de atrito.

"Quase uma semana foi gasta em negociações (sobre o comitê) e claramente isso prejudicaria a confiança em relação à Renault e provavelmente entre as duas empresas", disse a pessoa familiarizada com o pensamento da Nissan.

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