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Morte de pastor: Justiça decreta prisão de filhos; um deles confessou crime

Reprodução/Facebook
O pastor Anderson do Carmo e a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) Imagem: Reprodução/Facebook
do UOL

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio*

2019-06-20T15:56:21

2019-06-22T03:24:58

20/06/2019 15h56Atualizada em 22/06/2019 03h24

A Justiça do Rio de Janeiro expediu hoje mandados de prisão temporária contra dois filhos da deputada federal Flordelis (PSD-RJ). A informação foi divulgada na página do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Os dois foram presos nesta semana em razão de outros crimes, e agora também ficam detidos por suspeita de envolvimento no assassinato do pastor evangélico Anderson do Carmo Souza, no último domingo (16) em Niterói. Carmo era casado com Flordelis, o casal tinha 55 filhos (51 adotivos e quatro biológicos).

Ao UOL, a advogada Luciene Diniz, que defendia um dos filhos do casal, Flávio dos Santos Rodrigues, 38, confirmou ter deixado o caso ontem "após confissão do Flávio" --a polícia informou hoje que o suspeito confessou ter atirado seis vezes contra Souza. "Eu assumi o caso pensando que era alguém de fora [que havia cometido o assassinato], mas depois da confissão eu deixei o caso", afirmou Luciene, que assessora a congregação evangélica de Flordelis há mais de dez anos.

Filho biológico da parlamentar e enteado de Souza, Flávio tinha um mandado de prisão por violência doméstica em aberto e, por isso, foi preso no enterro do pastor. Já Lucas dos Santos, 18, responde por um ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, que teria cometido quando ainda era menor de idade. Ele também foi detido nesta semana.

Polícia achou arma do crime no quarto de suspeito

Na terça (18), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na igreja e na residência do casal, onde o assassinato ocorreu.

Bárbara Lomba, delegada que cuida do caso, informou que uma arma foi localizada no quarto de Flávio. A policial também confirmou que havia uma primeira indicação de que arma foi usada no crime. Um perito da Polícia Civil confirmou ao UOL que a arma passou por perícia preliminar e foi usada no crime.

A arma de calibre 9 mm ainda está na delegacia e será posteriormente periciada pelo Instituto Carlos Éboli para confronto balístico --o teste consiste em confrontar as ranhuras dos estojos das balas, que são uma espécie de impressão digital da arma, com as ranhuras das balas que atingiram o corpo do pastor, que foi vítima de 30 perfurações.

O crime ocorreu quando Souza e Flordelis voltavam de uma confraternização. Segundo a deputada contou à polícia, depois que chegaram em casa, o marido voltou à garagem porque teria esquecido algo dentro do carro. Nesse momento, a família ouviu o som dos disparos e desceu correndo. Souza chegou a ser levado ao Hospital Niterói D'Or, onde morreu. Nada foi roubado.

Laudo do IML (Instituto Médico Legal) revelou que o corpo do pastor apresentava mais de 30 perfurações; nove delas na região da virilha e da coxa. Oito disparos foram feitos contra o peito e um tiro a curta distância foi disparado na cabeça --o que, segundo a polícia, indica que o criminoso atirou apenas com a intenção de matar.

Marcello Ramalho, advogado que representa a família, foi hoje à Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. Na saída, ele disse apenas que não teve acesso ao inquérito que investiga a morte do pastor.

O UOL não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos após a polícia informar que Flávio confessou ter matado o pastor com seis tiros e a Justiça ter decretado as prisões temporárias.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da deputada ainda não se manifestou.

*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Lucas dos Santos, 18, não responde pelo crime análogo de tráfico de drogas, ele responde por um ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, que teria cometido quando ainda era menor de idade. O conteúdo foi corrigido.

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