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Calculista, Boris Johnson desponta no favoritismo para premiê britânico

2019-06-20T15:13:30

20/06/2019 15h13

A corrida para o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido se acelera. O ex-chanceler britânico Boris Johnson e o atual, Jeremy Hunt, serão os dois candidatos entre os quais os membros do Partido Conservador britânico elegerão o sucessor da primeira-ministra Theresa May, anunciou o partido nesta quinta-feira (20).

A corrida para o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido se acelera. O ex-chanceler britânico Boris Johnson e o atual, Jeremy Hunt, serão os dois candidatos entre os quais os membros do Partido Conservador britânico elegerão o sucessor da primeira-ministra Theresa May, anunciou o partido nesta quinta-feira (20).

Johnson, grande favorito na corrida pela liderança do partido e pelo posto de chefe de governo, obteve 160 votos dos 313 deputados que deveriam decidir os dois finalistas. Hunt conquistou 77 apoios e o ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, foi eliminado com 75 votos. Mais cedo, o ministro do Interior, Sajid Javid, já havia sido descartado da disputa.

Agora, os 160 mil militantes do partido vão decidir quem deve ser o novo premiê, entre os dois nomes finais. O resultado será anunciado em julho.

Os britânicos estão sem primeiro ministro desde o dia 7 de junho, quando Theresa May deixou o cargo, enfraquecida pelas negociações fracassadas do Brexit.

Catapultado pelo Brexit

O ex-chanceler britânico Boris Johnson, que avança como favorito para suceder May, é um político controverso que incomoda uns e seduz outros, apresentando-se como salvador do Brexit para fazer esquecer seus erros e excessos.

Numa aparente tentativa de atrair quem é contrário à União Europeia e moderados, nos últimos dias modificou sua linguagem. Primeiro disse não estar disposto a "erguer a bandeira branca" em Bruxelas e pedir um novo adiamento da saída - prevista inicialmente para 29 de março mas transferida para 31 de outubro. Depois, garantiu estar determinado a tirar o Reino Unido da União Europeia "com ou sem acordo", num debate transmitido pela TV na terça-feira, mas se recusou a se comprometer com o Brexit na data determinada.

Conhecido pelo cabelo louro despenteado e suas incendiárias declarações, Johnson, de 55 anos, é um dos políticos mais populares do país, mas também um dos mais questionados, que atrai críticas pela retórica populista, a escassa atenção aos detalhes e as contradições.

Assim, no referendo de 2016 surgiu como um dos principais defensores do Brexit - do qual foi um importante contribuinte para a vitória no referendo - mas apenas depois de fazer uma manobra incomum. Colunista do jornal conservador The Daily Telegraph, ele havia preparado um artigo anunciando que apoiava a permanência no bloco e outro afirmando o contrário, o que alimentou a impressão de que sua decisão escondia um cálculo político, que agora poderia dar resultados.

Contradições calculadas?

"Não creio que tenha uma opinião bem clara sobre o Brexit, mas tem uma opinião muito clara sobre si mesmo. A única coisa que Boris Johnson crê é em Boris Johnson", disse à AFP o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Pascal Lamy, que conhece a família Johnson desde que Boris era um jovem que estudava na Escola Europeia de Bruxelas, onde seu pai foi funcionário e eurodeputado.

"Assim que chegar (ao poder), ele vai querer ficar. Eu acho que o Brexit será algo secundário na sua estratégia de permanecer como primeiro-ministro", acrescenta.

Carreira jornalística

Nascido em Nova York em 1964, Alexander Boris de Pfeffel Johnson, conhecido popularmente como "BoJo", queria desde cedo ser "rei do mundo", contou sua irmã Rachel. Após se formar na Universidade de Oxford, em 1987, começou uma carreira de jornalista no The Times, de onde foi demitido no ano seguinte por ter inventado declarações.

Em seguida, foi correspondente no Daily Telegraph em Bruxelas entre 1989 e 1994, favorecendo histórias que ridicularizavam as normas europeias. Algumas delas se tornaram mantras para os opositores do bloco europeu, como uma que garantia que a UE pretendia regular o tamanho das bananas ou encurtar os preservativos masculinos.

"Não inventava as histórias, mas sempre exagerava", recorda Christian Spillmann, que foi correspondente da AFP em Bruxelas durante "os anos Boris".

Entrada na política

Em Bruxelas, terminou o casamento com Allegra Mostyn-Owen, que conheceu em Oxford, e se aproximou de uma amiga de infância, Marina Wheeler, que virou sua esposa e mãe de seus quatro filhos. O casal se separou em 2018 e Johnson se relaciona desde então com uma mulher de 31 anos, que segundo o Daily Telegraph é responsável por sua imagem mais moderna e alguns quilos menos.

Ele foi eleito deputado pela primeira vez em 2001, mas ganhou projeção a partir de 2008 ao assumir a prefeitura de Londres, um cargo com mais exposição pública do que responsabilidades, durante a realização dos Jogos Olímpicos de 2012 na capital britânica.

Na mente de todos, ficou marcada uma imagem do prefeito Johnson, pendurado preso numa tirolesa agitando uma bandeira enquanto aguardava o resgate durante os Jogos, uma situação ridícula que, graças ao seu carisma, conseguiu reverter a seu favor.

Nomeado ministro das Relações Exteriores por May em julho de 2016, entregou o cargo dois anos depois, por não concordar com uma estratégia para negociar o Brexit - que agora, se chegar ao poder, espera revolucionar.

Com informações da AFP

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