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Jornalista francês lembra que filho de Platini ganhou emprego do Catar logo depois do voto na Fifa

2019-06-18T13:03:22

18/06/2019 13h03

Em entrevista à RFI, Yann Philippin, o jornalista do site Mediapart que revelou nesta terça-feira (18) a detenção preventiva de Michel Platini, disse que ainda há muitos pontos a serem esclarecidos pela Produradoria Nacional de Finanças sobre o envolvimento do ex-dirigente da UEFA na concessão "litigiosa" da Copa do Mundo de 2022 ao Catar.

Em entrevista à RFI, Yann Philippin, o jornalista do site Mediapart que revelou nesta terça-feira (18) a detenção preventiva de Michel Platini, disse que ainda há muitos pontos a serem esclarecidos pela Produradoria Nacional de Finanças sobre o envolvimento do ex-dirigente da UEFA na concessão "litigiosa" da Copa do Mundo de 2022 ao Catar.

Platini, ex-presidente da UEFA, está sendo ouvido por agentes do escritório central de luta contra a corrupção e delitos financeiros e fiscais, em Nanterre, na periferia de Paris. "Temos conhecimento das suspeitas que pesam contra ele, a partir do famoso almoço no Palácio do Eliseu no qual o ex-presidente Nicolas Sarkozy [2007-2012] teria pedido a Platini para votar pelo Catar", disse. A custódia pode durar 48 horas.

 

A Procuradoria Nacional de Finanças (PNF) francesa se interessa particularmente por esse almoço, ocorrido no dia 23 de novembro de 2010, nove dias antes de a Fifa designar o Catar como país anfitrião. A "reunião", convocada por Sarkozy, contou com a presença do então príncipe do Catar Tamim bin Hamad al-Thani, Michel Platini - na época presidente da UEFA e vice-presidente da Fifa - e assessores próximos do ex-presidente francês. Nesse encontro, teria sido acertado que Platini votaria no Catar. Os participantes também discutiram a compra do PSG pela família real do Catar, um aumento da participação do emirado no grupo Lagardère e a criação de um canal de esportes (BeIN Sports) para competir com o Canal +. Tempos depois, em entrevista ao jornal Le Monde, Platini reconheceu ter participado do almoço e ter votado no Catar, mas disse que Sarkozy "nunca" pediu a ele que votasse no país do Golfo.

Philippin aponta um segundo elemento a ser esclarecido pela justiça francesa. O filho de Platini, Laurent, foi empregado como diretor de uma empresa de equipamentos esportivos (Burrda), financiada pelo Fundo de Investimentos do Catar, poucos dias depois do almoço no Eliseu. Laurent Platini trabalhou nessa empresa durante quatro anos, de dezembro de 2011 até dezembro de 2016.

O terceiro aspecto opaco para o jornalista do site Mediapart é o pagamento dos 2 milhões de francos suíços que obrigou Platini a pedir demissão da presidência da UEFA. "Esse pagamento foi feito pela Fifa dois meses após a designação do Catar para o Mundial de 2022 e logo após a conclusão de um acordo secreto", recorda o jornalista do Mediapart.  

Em outubro de 2015, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter mencionou um "acordo diplomático" para que os Mundiais de 2018 e 2022 acontecessem na Rússia e Estados Unidos, mas este plano fracassou após "a interferência governamental de Sarkozy", de acordo com Blatter. O ex-presidente francês nega qualquer intervenção.

Além de Platini, o ex-secretário-geral do Palácio do Eliseu Claude Guéant e a ex-conselheira para o Esporte sob a presidência de Sarkozy, Sophie Dion, também foram detidos nesta manhã. Eles são interrogados nas dependências do escritório central de luta contra a corrupção e delitos financeiros e fiscais, em Nanterre.

A investigação busca esclarecer se houve crime de "corrupção privada", "associação de criminosos", "tráfico de influência e ocultação de tráfico de influência". O inquérito, aberto pela PNF em 2016, ocorre em colaboração com órgãos judiciais da Suíça e dos Estados Unidos.

O advogado e o porta-voz de Platini, William Bourdon e Jen-Christophe Alquier, divulgaram um comunicado no qual afirmam que o ex-craque está confiante. "Ele não fez nada do que possa se arrepender e é alheio a uma série de fatos que ultrapassam sua alçada", afirma a defesa.

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