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Boris Johnson, favorito para ser o novo premiê britânico, coleciona gafes

Toby Melville/Reuters
Boris Johnson, candidato ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido Imagem: Toby Melville/Reuters
do UOL

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

2019-06-13T04:00:00

2019-06-13T11:57:11

13/06/2019 04h00Atualizada em 13/06/2019 11h57

O conservador Boris Johnson, favorito na disputa pelo cargo de primeiro-ministro britânico após a renúncia de Theresa May, tem um longo histórico de gafes e insultos a líderes políticos, grupos raciais e religiosos.

O nada diplomático ex-chanceler do Reino Unido e duas vezes prefeito de Londres é um dos políticos mais conhecidos entre os nove candidatos que disputam o cargo. A votação começa hoje no Parlamento. Mas o resultado final, condicionado a uma série de votações, só deve ser conhecido depois do dia 22 de julho. Enquanto isso, May fica como interina na função.

O UOL separou alguns dos momentos mais controvertidos do político britânico --um dos defensores do chamado "hard Brexit", a saída da União Europeia sem um acordo com esse bloco.

Possível presidente dos EUA?

Antes de renunciar à sua cidadania americana, o candidato a líder do governo britânico já deixou claro que poderia ocupar a Casa Branca um dia, se quisesse. Johnson nasceu nos EUA e manteve dupla cidadania até 2016, quando abriu mão para evitar impostos americanos -- ele nasceu em Nova York, em 19 de junho de 1964. Durante sua participação no programa do apresentador norte-americano David Letterman, Johnson disse: "Eu poderia ser o presidente dos Estados Unidos, tecnicamente falando".

Apesar dos elogios frequentes que recebe do presidente dos EUA, Donald Trump, Johnson já afirmou que "a única razão pela qual não iria a algumas partes de Nova York é pelo risco real de conhecer Trump". Ele afirmou ainda que ter sido confundido com Trump nos EUA foi um dos piores momentos já vividos por ele.

GEOFF CADDICK/AFP
Imagem: GEOFF CADDICK/AFP

Sobre outros líderes daquele país, não foi mais feliz. Em uma coluna publicada no jornal britânico The Telegraph, Johnson afirmou que a ex-senadora democrata Hillary Clinton tem "o cabelo tingido de loiro e lábios carnudos, como uma enfermeira sádica em um hospital psiquiátrico". Além disso, o ex-chanceler afirmou que Obama era "meio queniano" e teria uma "aversão ancestral pelo Império Britânico".

Ofensas raciais

Johnson já se referiu a crianças negras de forma pejorativa ao falar sobre africanos. "Dizem que a rainha passou a amar a Commonwealth em parte porque proporciona homenagens de 'multidões de negrinhos' (piccaninnies) acenando com bandeiras", disse.

Em outra ocasião, comentando uma visita do ex-premiê Tony Blair ao Congo, disse que os "guerreiros tribais ficariam com seus sorrisos de melancia abertos para ver o grande chefe branco pousar com seu grande pássaro branco financiado pelos contribuintes britânicos".

Hitler e Napoleão como unificadores europeus

Em sua campanha contra as negociações do Brexit, Johnson afirmou que os últimos 2.000 anos da Europa foram marcados por tentativas de unir a Europa.

"Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram unificar a Europa, e isso acabou tragicamente", teria dito. "A União Europeia é uma tentativa de fazer isso por métodos diferentes", afirmou, em 2016.

Agressão a uma criança japonesa

Issei Kato/Reuters
Imagem: Issei Kato/Reuters

Nem o jovem Toki Sekiguchi, na época com dez anos de idade, escapou dos ataques de Johnson. Durante uma partida de rúgbi em 2015 com crianças, o ex-prefeito de Londres derrubou duramente o menino, que ficou caído no chão. Após o lance, o menino disse que sentiu um pouco de dor, mas estava bem.

Burcas "parecem caixas de correio"

Em uma coluna publicada também no jornal The Telegraph, Johnson foi acusado de islamofobia ao afirmar que obrigar mulheres a usar burcas cobrindo seus rostos é algo "absolutamente ridículo" e que as pessoas "deveriam poder escolher se querem andar parecendo com caixas de correio".

Os comentários descuidados de Johnson também colocaram em perigo a britânica-iraniana Nazanin Zaghari-Ratcliffe, condenada a cinco anos de prisão por espionagem. Ele afirmou que ela estava "simplesmente ensinando as pessoas a serem jornalistas", enquanto a defesa dela sustentava a tese de que ela estava no país de férias. A afirmação de Johnson chegou a ser usada contra ela pela Justiça iraniana. Ela permanece presa no país.

Erdogan pratica sexo com cabra; Putin parece elfo

Em 2016, Johnson, que é bisneto de turcos, ganhou um prêmio por um poema ofensivo sobre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusando-o de se masturbar e manter relações sexuais com uma cabra.

Ele ainda comparou o presidente russo, Vladimir Putin, com um personagem de Harry Potter. "Apesar de ser parecido com o Dobby, o elfo serviçal, ele é um tirano implacável e manipulador", escreveu Johnson em sua coluna do Telegraph.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, o ex-chanceler britânico Boris Johnson renunciou à sua cidadania americana em 2016.

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