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Macron e Merkel perdem força nas urnas; Liga reforça domínio na Itália

2019-05-26T22:01:00

26/05/2019 22h01

Madri, 26 mai (EFE).- As eleições para o Parlamento Europeu encerradas neste domingo trouxeram resultados decepcionantes para os partidos governistas de França e Alemanha, mas reforçaram o domínio da direitista Liga na Itália e do socialista PSOE na Espanha, que ganham mais voz na União Europeia.

MACRON PERDE QUEDA DE BRAÇO COM LE PEN.

O partido ultradireitista Reunião Nacional (RN), presidido por Marine Le Pen, ganhou as eleições na França para o Parlamento Europeu, à frente do República em Marcha, do presidente do país, Emmanuel Macron.

Após tomar conhecimento do resultado, Le Pen exigiu que Macron dissolva a Assembleia Nacional e convoque eleições legislativas "para saber a verdadeira opinião do país".

A extrema direita já havia ganhado o pleito para a Eurocâmara em 2014, mas desta vez o triunfo veio acompanhado da perda de força de conservadores e socialistas.

Outra surpresa foi protagonizada pelos Verdes, que ficaram em terceiro lugar, superando o conservador Os Republicanos, segunda maior bancada no Parlamento.

VERDES SUPERAM SOCIAL-DEMOCRATAS NA ALEMANHA.

A coalizão que dá base ao governo da chanceler Angela Merkel se manteve como principal força política na Alemanha, mas com gosto de derrota devido a uma notável perda de votos, na contramão dos Verdes, que superaram os social-democratas.

Integrada pela União Democrata-cristã (CDU) e a União Social-Cristã da Baviera (CSU), a coalizão tinha o líder do Partido Popular Europeu (PPE), o bávaro Manfred Weber, como cabeça de chapa comum e candidato à presidência da Comissão Europeia.

VITÓRIA CONSOLIDA SOCIALISTAS NO PODER NA ESPANHA.

O socialista PSOE conseguiu uma sólida vitória na Espanha, ao obter 20 das 54 cadeiras em disputa na Eurocâmara, seguido pelo conservador PP, que conseguiu 12, e o liberal Ciudadanos, que tinha dois eurodeputados na legislatura anterior e passará a contar com sete a partir do dia 2 de julho, data de posse dos novos parlamentares.

Com o triunfo, o PSOE deve se tornar o maior partido em número de cadeiras (20) da bancada social-democrata no Parlamento Europeu.

Quem também deve conseguir um assento na Eurocâmara é o ex-presidente do governo regional da Catalunha Carles Puigdemont, atualmente foragido da justiça espanhola e vivendo na Bélgica. Ele liderava a chapa do partido Junts, que conseguiu duas cadeiras na Eurocâmara.

ULTRADIREITISTA LIGA É O PARTICO MAIS VOTADO NA ITÁLIA.

A Liga, partido ultradireitista e eurocético liderado pelo ministro do Interior e vice-presidente do governo da Itália, Matteo Salvini, deve ser ratificado como o partido mais votado no país nas eleições ao Parlamento Europeu.

Caso a projeção se confirme, primeira vez a Liga será o principal partido da Itália. Nas eleições nacionais do ano passado, ela obteve 17% dos votos, e nas de 2013, apenas 4,08%.

O ministro do Interior publicou nas redes sociais uma mensagem de agradecimento aos eleitores, acompanhada de uma foto na qual ele aparece segurando um cartaz no qual se lê "maior partido da Itália, obrigado".

TSIPRAS SOFRE DERROTA EXPRESSIVA E CONVOCA ELEIÇÕES ANTECIPADAS.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, é um dos grandes derrotados das eleições para o Parlamento Europeu. E anunciou a convocação de um pleito nacional antecipado no menor prazo possível, após o fracasso de seu partido, o esquerdista Syriza, na disputa por cadeiras na Eurocâmara.

O Syriza não conseguiu reverter a tendência apontada nas últimas pesquisas e acabou com 24% dos votos, nove pontos percentuais abaixo do Nova Democracia (33%), maior legenda de oposição ao atual governo.

EXTREMA-DIREITA GANHA FORÇA NA SUÉCIA, MAS SOCIAL-DEMOCRATAS VENCEM.

O Partido Social-Democrata, do primeiro-ministro Stefan Löfven, venceu as eleições europeias na Suécia com pouco mais de um quarto dos votos, em um pleito no qual a extrema-direita teve grande crescimento e ficou em terceiro.

Os social-democratas conseguiram manter os atuais cinco assentos, enquanto o Partido Conservador ganhou um e agora tem quatro.

BRITÂNICOS REFORÇAM POSIÇÃO PRÓ-BREXIT.

No Reino Unido, o Partido do Brexit, do populista Nigel Farage, obteve uma vitória incontestável, com cerca de 30% dos votos, seguido pelo pró-europeu Partido Liberal Democrata.

O crescimento do partido de Farage é interpretado por analistas políticos britânicos como uma mensagem de que o país quer mesmo deixar definitivamente a União Europeia.

O Reino Unido foi obrigado a participar do pleito, apesar de estar no meio do processo de separação do bloco comunitário, que deve se concretizar até 31 de outubro, e por isso os eurodeputados que elegeu hoje terão que deixar as cadeiras no Parlamento Europeu assim que o "divórcio" se materializar.

ORBÁN SE FORTALECE NA EUROPA COM CONTUNDENTE VITÓRIA.

O partido Fidesz, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, também conseguiu uma contundente vitória nas eleições europeias, com 52,1% dos votos, o que lhe renderá 13 das 21 cadeiras do país na Eurocâmara, uma a mais do que atualmente.

O resultado aumenta o peso do Fidesz no Parlamento Europeu, algo que pode ter muita importância quando decidir a qual bancada vai se aliar.

O Partido Popular Europeu (PPE) suspendeu em março o Fidesz por condenar sua política anti-imigração, mas não o expulsou de seus quadros.

Desde então, espera-se que Orbán decida se vai continuar filiado à legenda continental ou se vai se aproximar de uma união de partidos ultranacionalistas liderada pelo vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini.

NACIONALISTAS VENCEM NA POLÔNIA.

O partido nacionalista-conservador Lei e Justiça (Pis), governista na Polônia, ganhou as eleições no país para o Parlamento Europeu e se consolidou como favorito para o pleito geral de novembro.

O PiS obteve 42,4% dos votos, de acordo com as primeiras projeções, enquanto a Coalizão Europeísta, que reúne partidos de diferentes espectros ideológicos e foi criada para enfrentar os governistas nas eleições europeias, conquistou 39,1% da preferência do eleitorado.

Apesar da união dos opositores e das contínuas críticas feitas pela Comissão Europeia às reformas realizadas na Polônia, o PiS pode ter conseguido o melhor resultado de sua história nas eleições europeias, muito superior os 31,78% do pleito de 2014. EFE

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