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Iraque condena à morte três franceses do Estado Islâmico

2019-05-26T09:41:00

26/05/2019 09h41

Bagdá, 26 Mai 2019 (AFP) - Três franceses foram condenados à morte neste domingo (26) por pertencerem ao grupo Estado Islâmico (EI), informou à AFP o juiz do tribunal de Bagdá, um veredito inédito para cidadãos desse país.

Os condenados são Kévin Gonot, Léonardo Lopez e Salim Machou, presos na Síria por uma aliança curdo-árabe anti-EI antes de serem transferidos com outros nove franceses ao Iraque em fevereiro.

De acordo com a lei iraquiana - que prevê a pena de morte para qualquer um que tenha se juntado a uma organização terrorista -, os três homens têm 30 dias para recorrer.

Até agora, três franceses já foram condenados por pertencerem ao EI no Iraque: Mélina Boughedir, de 27 anos, Djamila Boutoutaou, 28, e Lahcène Gueboudj, 58. Os três foram condenados à prisão perpétua, o equivalente a 20 anos no Iraque.

O veredito deste domingo poderia reavivar o debate sobre a espinhosa questão do retorno de jihadistas, que atrai grande rejeição da opinião pública na Europa.

Léonard Lopez, um parisiense de 32 anos convertido ao Islã, respondeu às perguntas do juiz em árabe na audiência deste domingo, depois de quatro meses de interrogatórios.

Contactado pela AFP em Paris, seu advogado Me Nabil Boudi denunciou uma "justiça expeditiva". "Um cidadão francês foi condenado à morte com base apenas em uma série de interrogatórios em prisões de Bagdá", disse.

"E isso apesar de o ministério francês das Relações Exteriores ter nos garantido que os franceses teriam direito a um julgamento justo, mesmo no Iraque", afirmou, enquanto defensores dos direitos humanos denunciaram o "risco real de tortura" e "nenhuma garantia de julgamentos justos".

Léonard Lopez era, no início dos anos 2000, um dos membros mais ativos no site jihadista francês Ansar Al-Haqq.

Em julho de 2015, sob controle judicial por sua atividade neste site, partiu com sua esposa e seus dois filhos, primeiro para Mossul e depois para a Síria.

Ele co-fundou a associação Sanabil, dissolvida pelo governo francês no final de 2016 por contribuir, sob o pretexto de ajudar detentos, na radicalização de prisioneiros.

Todos aqueles envolvidos, direta ou indiretamente, nos atentados cometidos na França desde janeiro de 2015, estiveram direta ou indiretamente ligados ao Sanabil.

- Arrependimento -Kévin Gonot, 32 anos, nascido em Figeac (sudoeste da França), disse neste domingo ao juiz que "se arrepende" de ter ingressado no EI.

Ele foi preso na Síria com seu meio-irmão Thomas Collange, 31, sua mãe e sua esposa, e uma sobrinha dos irmãos Fabien e Jean-Michel Clain, que reivindicaram os ataques de novembro de 2015 em Paris (130 mortos).

Kévin Gonot afirmou que seu pai, que também se juntou ao EI de acordo com sua "confissão" publicada pela Justiça iraquiana, foi morto em Raqa, ex-"capital" do EI na Síria.

Na Síria, onde entrou através da Turquia, primeiro ingressou na Frente Al-Nusra (ex-facção da Al-Qaeda na Síria) antes de jurar fidelidade ao líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi.

Ferido no estômago em 2015 durante a batalha de Kobane, na Síria, assegurou ao juiz que foi então transferido para Mossul, a "capital" do Estado Islâmico no Iraque de 2014 a 2017, para ser hospitalizado e não para combater.

Machou Salim, de 41 anos, pertenceu à brigada Tariq ibn Ziyad, uma unidade do EI liderada por um ex-legionário francês, Abdelilah Himich.

Esta "célula de combatentes europeus" chegou a contar com "300 membros", segundo as autoridades americanas.

Salim Machou abrigou em Raqa Jonathan Geffroy, um francês capturado na Síria e entregue à justiça francesa que fez muitas revelações, incluindo sobre os irmãos Clain.

Outros nove franceses ainda serão julgados no Iraque - Fodil Tahar Aouidat, Mustapha Merzoughi, Yassine Sakkam, Karam El Harchaoui, Vianney Ouraghi, Brahim Nejara, Bilel Kabaoui, Mohammed Berriri e Mourad Delhomme.

Recentemente, Bagdá, que já condenou mais de 500 estrangeiros por pertencerem ao EI, propôs também julgar os milhares de estrangeiros atualmente nas mãos dos curdos na Síria. Para isso, solicita do Estado de origem uma soma de dois milhões de dólares por pessoa.

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