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Fazendeiros do Vale do São Francisco investem em frutas para exportação

do UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Petrolina (PE)

26/05/2019 04h00Atualizada em 26/05/2019 17h40

Nas últimas quatro décadas, o Vale do São Francisco, em especial Petrolina (PE), tem se destacado na produção de frutas no semiárido nordestino. Embalados pela água do "Velho Chico" e por novas tecnologias de irrigação, combate às pragas e manejo de cultivos, os fazendeiros da região têm conseguido boas safras constantemente. Agora, além do mercado nacional, miram a exportação.

No ano passado, 14% do total de uvas e 19% das mangas produzidas no local atravessaram as fronteiras brasileiras rumo à Europa, Ásia e aos Estados Unidos.

Uma das principais produtoras do Vale, a Agrobras atende o mercado nacional, mas hoje tem como foco a exportação para Estados Unidos, União Europeia, Japão e Coreia do Sul. Na Inglaterra, por exemplo, as frutas são compradas pelas redes de supermercados Tesco, Sainsbury's e Waitrose -- este último tem preço e qualidade "premium".

O diretor da empresa, o engenheiro agrônomo Sílvio Medeiros, afirma que a carga é transportada tanto de navio quanto de avião para o exterior. O aeroporto de Petrolina conta com dois voos semanais de um avião cargueiro - Boeing 747-8F - para Luxemburgo. Em cada viagem, a aeronave consegue levar cerca de 140 toneladas de produtos.

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Quando por via marítima, as cargas de frutas são transportadas do Vale do São Francisco em caminhões com contêineres refrigerados até chegar em portos no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia. De lá, a travessia para a Europa pelo Atlântico costuma durar uns 15 dias.

Alguns contratempos, na sua avaliação, são as exigências fitossanitárias dos importadores e a burocracia do governo brasileiro. No entanto, a rentabilidade faz valer a aposta.

Embora a manga ocupe mais espaço territorial, 700 hectares da fruta contra 350 hectares de uva de mesa -- de consumo in natura e não utilizadas para fabricação de vinho--, as últimas são mais rentáveis. Quando para a Europa, cada caixa de uva tem 5 kg e é vendida entre 10 a 12 euros. A de manga tem 4 kg e varia entre 2,5 e 9 euros.

Por outro lado, as uvas são mais delicadas e precisam de manutenção constante. A supervisora do departamento de embalagem e conservação de uma das fazendas da Agrobras, Neilma Oliveira, explica que, após colhidos manualmente no parreiral - somente uvas para vinho têm sistema automatizado de retirada -, os cachos são lavados e selecionados.

Isso porque algum bago pode estar estragado ou bicado por pássaros. Se uma fruta apodrecida estiver embalada, pode acelerar o vencimento das demais e justificar a recusa da carga por parte do comprador. Depois da certificação, os cachos são embalados e etiquetados.

A fim de se manterem conservadas, as uvas ficam por oito horas em uma sala de pré-esfriamento. De lá, são armazenadas em câmaras frias a 0ºC até serem transportadas ao comércio. Cada câmara fria consegue suportar de 600 kg a 1 tonelada de uvas.

Seguindo o preceito de que tudo pode e deve ser aproveitado, bagos descartados por questão estética, mas em bom estado de conservação, são vendidos para vinícolas da região e ajudam na fermentação dos vinhos.

No auge da safra da uva, em setembro e outubro, quando o inverno não possibilita a produção da fruta no hemisfério norte, a fazenda chega a contar com 2,5 mil funcionários. Nas demais épocas do ano, são 1,6 mil colaboradores.

A água que irriga as plantações é proveniente da barragem de Sobradinho (BA), represada do rio São Francisco. Segundo Sílvio Medeiros, a água é de excelente qualidade e basta passar por uma filtração para a retirada de resíduos sólidos antes de ser levada ao campo por meio de tubulações. Na fazenda, a tecnologia dos sistemas de irrigação é fornecida por empresas israelenses.

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