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Após atos, Bolsonaro cobra agilidade do Congresso e do Judiciário

do UOL

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

2019-05-26T22:44:25

2019-05-27T09:05:26

26/05/2019 22h44Atualizada em 27/05/2019 09h05

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) aproveitou os atos realizados hoje em todo país para pedir ao Congresso e também ao Judiciário maior agilidade na aprovação de pautas de interesse do governo.

"Foi uma manifestação espontânea. É um povo ordeiro que veio cobrar, pedir aos poderes executivo, legislativo trabalhem. Coloquem em pauta matérias que interessam para o futuro do nosso Brasil", disse Bolsonaro em entrevista à TV Record nesta noite.

O presidente afirmou ainda que exagerou ao se referir aos estudantes que participaram dos protestos de 15 de maio em defesa da educação como "idiotas úteis".

"Eu exagerei. Concordo. O certo são 'inocentes úteis'. Nem sabiam o que estavam fazendo lá."

Segundo Bolsonaro, não houve cortes na educação, mas contingenciamento de despesas da ordem de 3,6% do montante destinado ao setor.

"Essa garotada foi usada por professores inescrupulosos que tentaram fazer uma manifestação política contra o governo, uma minoria que não tem o compromisso de fazer com que esses jovens sejam lá na frente bons profissionais, bons empregados ou bons patrões."

Conversa com Congresso e STF

Na entrevista, Bolsonaro declarou que tem mantido conversas com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, para colocar as pautas do governo em andamento no Congresso e no Judiciário. Todos eles foram alvo dos manifestantes que foram às ruas neste domingo.

Ana Luiza Albuquerque/Folhapress
26.mai.2019 - No Rio, manifestantes criticaram o STF (Supremo Tribunal Federal) e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) Imagem: Ana Luiza Albuquerque/Folhapress

"Vou voltar a conversar com o Rodrigo Maia nesta semana novamente, com o Davi Alcolumbre, o Dias Toffoli, para gente ter um pacto entre nós para colocar o Brasil no destino que toda a população quer. Temos tudo para sermos uma grande nação. Falta nós aqui em Brasília conversarmos um pouco mais e discutir o que temos que votar em especial."

O presidente declarou ainda que não está em "litígio" com os outros Poderes.

"Nós estamos em harmonia. Mas falta nós conversarmos um pouco mais. E a culpa é minha também. Para que nós coloquemos na mesa o que nós temos que aprovar, o que temos que revogar também, porque há muita legislação que atrapalha o crescimento do Brasil."

Sem reforma, país vai sucumbir

Bolsonaro afirmou que não pretende atuar diretamente no Congresso para aprovação da reforma da Previdência, mas voltou a cobrar agilidade dos parlamentares para evitar o agravamento da crise econômica.

"Eu te pergunto? O que tenho que fazer? Ir para dentro do parlamento conversar? Não é uma boa prática. Se nós não enfrentarmos isso, e rápido, o Brasil pode sucumbir economicamente, como o ministro [da Economia] Paulo Guedes já falou."

Bolsonaro aproveitou para rebater o que chamou de "fofoca" a respeito da saída de Guedes do governo caso a reforma da Previdência não seja aprovada. "Não é que ele pode ir embora. Eu acho que, se o Brasil naufragar economicamente, acaba a função dele. Não tem mais o que fazer.

Centrão precisa mudar forma de fazer política

Em relação às críticas recebidas pelo grupo de parlamentares que formam o chamado Centrão, de que exigiriam trocas de favores para votar, Bolsonaro recomendou que eles mudem a forma de fazer política.

"Centrão virou um palavrão. A melhor maneira de mostrar que não tem motivo de satanizar esse nome é ajudar a votar aquilo que interessa para o Brasil. Agindo dessa maneira, haverá reconhecimento por parte da população. Acredito que uma parte considerável dos parlamentares não quer ser rotulada de Centrão, ao grupo clientelista, ou aquele grupo que quer negociar alguma coisa para votar."

Questionado se foi procurado por parlamentares atrás de algum tipo de favorecimento, Bolsonaro afirmou que recebeu dois pedidos para indicação de ministérios, mas não revelou os nomes "por questão de ética".

"Essa forma de fazer política existia no passado. Pela primeira vez estamos vendo no Brasil um presidente que, depois de eleito, está tentando de todas as formas fazer cumprir o que falou durante a campanha. Os parlamentares precisam encontrar uma maneira de se desvincular do Centrão, dessa fama pejorativa de querer negociar tudo. Comigo, os parlamentares do Centrão nunca me procuraram para discutir partilha de ministérios, bancos, estatais etc."

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