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Após prisão de suspeitos de matar marido, viúva busca se "redescobrir"

Ronald e Lígia estavam casados havia três anos - Arquivo pessoal
Ronald e Lígia estavam casados havia três anos Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Bruna Alves

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/05/2019 04h00

Casado havia três anos, o empresário Ronald Aparecido da Silva, 44, teve sua vida interrompida por um tiro no peito, após um assalto quando voltava para casa, em 20 de janeiro. Desde então, a vida da família e dos amigos, nunca mais foi a mesma. Porém, a notícia da prisão de três suspeitos pelo assassinato deve representar um novo ciclo na vida da viúva Lígia Bolognesi, 36.

"Eu deixei de conviver socialmente com as pessoas e me dediquei a ir atrás de respostas, do resultado que a gente teve, e dar todo o suporte que a família dele precisava. Eu vou precisar me redescobrir e ver o que eu vou fazer agora", conta Lígia, que transformou sua rotina em uma luta para encontrar os assassinos do marido.

Desde 20 de janeiro, ela passou a ir à delegacia toda semana, cobrou da polícia as investigações, fez buscas em redes sociais e chegou até a montar um dossiê que entregou aos investigadores. Na última terça, Lígia recebeu a notícia que tanto esperava neste quatro meses: as prisões de Marcos Vinícius Maurício Andrade Rodrigues, 25, conhecido como "Nego"; Francisco Estevão de Sousa Filho, 19, o "Chiquinho", e Marcus Vinícius Martins, 23, suspeitos de cometer o crime.

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Com a página virada, Lígia se agarra às lembranças de Ronald para recomeçar. "A minha vida era um dia 100% com ele e outro dia 100% sem ele. A gente era muito companheiro, muito unido", relembra a viúva, que trabalhava no mesmo lugar com Roni, pois dividiam uma coworking (local onde empresas dividem o mesmo espaço).

"(Era) um filho extremamente presente na vida dos pais. Ele amava demais e tinha um amor incondicional pelo filho. Permanecer sem ele e acordar sem ele é muito difícil. A gente tem que se apegar naquela questão de que tudo tem um propósito", lamenta Lígia.

Para o filho Bruno Pacheco da Silva, 25, está difícil se acostumar a viver sem as conversas e a presença do pai. "Hoje mesmo eu senti falta. Vai batendo a saudade quando você lembra de qualquer detalhezinho, e ele sempre fez tudo pela gente, só saudades dele", diz Bruno, que é filho do primeiro casamento de Ronald.

Chamado de Roni entre os mais próximos, o instrutor de paraquedismo adorava viajar no fim de semana. Seus destinos prediletos eram Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, e Boituva, no interior do estado e um dos locais famosos para a prática do esporte.

"Vou precisar me redescobrir agora", diz Lígia, após o assassinato do marido - Arquivo pessoal
"Vou precisar me redescobrir agora", diz Lígia, após o assassinato do marido
Imagem: Arquivo pessoal
Ronald fazia paraquedismo desde 2010 e passou a instruir alunos. Ele também era empresário, tinha três empresas e recentemente havia tirado o arrais (permissão para pilotar embarcação), junto com a mulher. "A gente gostava muito de navegar, isso é uma coisa que nós fizemos juntos e sonhamos juntos. Essa era a nossa paixão", destaca Lígia.

Amigo de infância, Sérgio Ribeiro Júnior diz que Roni era muito esforçado e sempre mostrava bom humor. "Ele já trabalhou até 14 horas por dia, e quando entrou no paraquedismo trabalhava de segunda a segunda. Era uma pessoa muito pra frente, muito alegre e animada, um ser humano incrível, que sempre estava disposto a ajudar as pessoas, e sem apego material. Para mim, a vida ficou um pouco mais cinza, porque ele era uma pessoa muito alegre", diz.

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