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Pai diz que filho foi impedido de frequentar aula por defender Bolsonaro

Discussão em sala de aula da Cemei Eduardo Romualdo de Souza, em Ribeirão Preto (SP), termina na delegacia - Reprodução/Google Maps
Discussão em sala de aula da Cemei Eduardo Romualdo de Souza, em Ribeirão Preto (SP), termina na delegacia Imagem: Reprodução/Google Maps
do UOL

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

24/05/2019 15h04

Um pai de aluno de uma escola municipal de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) registrou um boletim de ocorrência onde afirma que seu filho, de 12 anos, foi impedido por um professor de História de frequentar as aulas depois de defender o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante um debate em sala de aula.

De acordo com o pai do estudante, o fato ocorreu por volta das 16h de ontem na Cemei Eduardo Romualdo de Souza, na zona oeste da cidade. A Secretaria de Educação do município informou que apura o caso. O professor não foi localizado para comentar.

"Meu filho estava conversando com uma colega de sala sobre o governo do Bolsonaro. A menina disse que o Brasil era melhor na época do PT e meu filho disse que o presidente acabou de assumir e não tinha culpa pela situação do país. O professor ouviu, se aproximou e, falando com a amiga do meu filho, disse para que ela mandasse meu filho calar a boca", disse.

O professor teria então conversado sobre o assunto com os dois alunos. Segundo relato do menor, entretanto, o professor continuou o assunto em sala de aula, perguntando aos outros estudantes se eles concordavam com a opinião da menina, de que o Brasil era melhor na época do PT.

"Depois da enquete, ele disse ao meu filho que, só por citar o nome do Bolsonaro ele estava proibido de assistir as próximas aulas dele", contou o pai.

Ele informou que entregou pessoalmente o boletim de ocorrência para o secretário de Educação da cidade, Felipe Miguel. "Espero que ele seja afastado das suas funções. E que vá para Cuba ou Venezuela", disse o pai.

Professor diz já ter trabalhado para o PT

A reportagem tentou falar com o professor por meio de redes sociais, mas ele não respondeu.

Na escola, foi informado que o professor não se encontrava e que a orientação era que ninguém comentasse o caso.

A reportagem também tentou ligar em um número de celular que seria do professor, mas as mensagens caíram na caixa postal.

Em sua página nas redes sociais, entretanto, ele afirma já ter trabalhado para o Partido dos Trabalhadores.

A reportagem do UOL também apurou que o professor de História já foi assessor de do ex-ministro petista Antonio Palocci Filho na Assembleia Estadual de São Paulo, na década de 1990.

Secretaria diz que caso será investigado

Procurada, a direção da escola informou que "serão tomadas as providências para que o aluno tenha seus direitos preservados".

Até o momento, não há determinação para que ele seja afastado de suas atividades, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ribeirão Preto.

A Secretaria de Educação de Ribeirão, por sua vez, informou que "a pasta já iniciou, junto à unidade escolar, a apuração da denúncia realizada pelo aluno".

A secretaria ressaltou, ainda, "importância de que a escola seja um espaço aberto ao diálogo, à pluralidade e ao respeito às individualidades. Dessa forma, a secretaria de Educação procederá para que esse e outros conflitos sejam abordados, considerando esses pilares da democracia".

Questionado, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto informou que "a direção está em busca de mais informações sobre o caso", e que ainda não conseguiu falar com o professor, mas que irá "respaldar o profissional com o jurídico, com o intuito de esclarecer os fatos e resolver a situação".

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