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Conflito entre EUA e China chega ao campo das palavras sobre a Huawei

2019-05-24T08:47:00

24/05/2019 08h47

Pequim, 24 Mai 2019 (AFP) - Guerra comercial, guerra tecnológica e agora guerra de palavras: chineses e americanos se acusam mutuamente de mentiras em torno do caso da Huawei, gigante chinesa de smartphones ameaçada pelas sanções de Washington.

Duas semanas atrás, os negociadores de ambos os países tentavam na capital americana resolver sua disputa comercial. Agora, o tom não para de subir em torno da Huawei, colocada na semana passada pela administração Trump numa lista negra, suspeita de espionagem em favor de Pequim.

Na quinta-feira, o secretário de Estado americano Mike Pompeo acusou o grupo de mentir sobre sua colaboração com o governo chinês.

"O CEO da Huawei não está dizendo a verdade ao povo americano nem ao mundo" quando diz que não tem nenhuma ligação com o governo, denunciou Pompeo, citando a legislação chinesa que obriga as empresas do país a colaborar com as autoridades em questões de segurança nacional.

Em resposta, Pequim denunciou nesta sexta-feira "as mentiras" dos Estados Unidos.

"Há algum tempo, alguns políticos nos Estados Unidos têm espalhado rumores sobre a Huawei, mas eles nunca foram capazes de produzir provas", declarou um porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Lu Kang.

Enquanto, de acordo com Lu, a "guerra comercial e tecnológica" do governo Trump contra a China levanta "cada vez mais perguntas" no próprio Estados Unidos, "esses líderes políticos continuam a fabricar mentiras de todos os tipos para enganar os americanos".

O porta-voz chinês também defendeu o fundador da Huawei, Ren Zhengfei, um ex-engenheiro militar, que garante que seu grupo não está envolvido em atividades de espionagem.

A longa entrevista na qual Ren defendeu seu grupo na terça-feira "foi amplamente aplaudida na China e no resto do mundo", disse Lu Kang. "Há apenas alguns políticos que questionam sua palavra".

A própria filha de Ren, diretora financeira da Huawei, está em liberdade condicional no Canadá, onde foi presa em dezembro a pedido dos Estados Unidos, que a acusam de violar as sanções contra o Irã.

- 'Profunda simpatia' -A Huawei será, dentro de três meses, proibida de comprar de fornecedores nos Estados Unidos, quando depende da tecnologia americana para os chips eletrônicos usados em seus telefones. A sobrevivência do grupo chinês, também líder mundial em equipamentos de telecomunicações, pode estar em jogo, segundo especialistas.

Grandes grupos, como Google, Qualcomm, Panasonic e Vodafone, anunciaram que terão que suspender parte de sua colaboração com a companhia chinesa.

Mas, enquanto o governo americano lutava até agora para separar a guerra comercial do caso Huawei, Donald Trump claramente misturou as duas questões na quinta-feira.

A gigante dos smartphones é "muito perigosa. Quando se olha para o que eles fizeram do ponto de vista da segurança, do ponto de vista militar. Muito perigoso. Mas é possível que a Huawei seja incluída em um acordo comercial. Se tivermos um acordo, vejo a Huawei incluída de uma forma ou outra", disse o presidente americano durante uma coletiva de imprensa.

Desorientadas pelos altos e baixos desse conflito prolongado, as bolsas de valores asiáticas encerraram sua sessão dispersas, com Hong Kong registrando uma leva recuperação após desabar na quinta-feira.

Por sua vez, Paris se recuperava após a queda acentuada do dia anterior, como Wall Street, a Bolsa de Valores de Nova York.

A China não deixou de notar que o governo Trump decidiu conceder um novo auxílio de US$ 16 bilhões aos seus agricultores afetados pelas represálias da China e da União Europeia.

"As organizações nos setores da agricultura e da pecuária pedem claramente ao governo americano que corrija seus erros", considerou o porta-voz chinês.

"Seus colegas chineses sentem uma profunda simpatia pelos problemas enfrentados pelos fazendeiros e pecuaristas nos Estados Unidos", disse Lu.

bar/ehl/evs/mr

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