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PF conclui que houve obstrução à investigação do assassinato de Marielle

Renan Olaz/CMRJ
Vereadora Marielle Franco na Câmara Municipal do Rio de Janeiro Imagem: Renan Olaz/CMRJ
do UOL

Do UOL, em São Paulo

2019-05-23T15:49:40

23/05/2019 15h49

Resumo da notícia

  • Policial que é testemunha do caso e sua advogada são indiciados
  • Eles fariam parte de uma organização que atuou contra a investigação
  • Ministério Público irá avaliar investigação e decidir se encaminha à Justiça

A PF (Polícia Federal) concluiu que houve obstrução à investigação sobre o atentado que resultou nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

De acordo com inquérito entregue para análise do Gaeco do MP-RJ (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro), o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada dele, Camila Moreira Lima Nogueira, integram uma organização criminosa cujo objetivo era o de atrapalhar as investigações da Polícia Civil sobre o caso. A informação foi publicada primeiramente pelo jornal "O Globo" e foi confirmada pelo UOL com fontes ligadas ao processo.

Além do PM e de sua defensora, ainda não se sabe o número exato de pessoas que foram indiciadas pela PF. As promotoras do Gaeco do MP-RJ irão decidir se denunciam os indiciados à Justiça ou se pedem mais apuração por parte da PF.

Testemunha suspeita

Pouco mais de um mês após o assassinato de Marielle e Anderson, ocorrido em 14 de março de 2018, três delegados federais apresentaram como "testemunha-chave" à DH (Delegacia de Homicídios da Capital, órgão da Polícia Civil do Rio) o PM Rodrigo Jorge Ferreira.

A testemunha trabalhou como motorista do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, apontado como chefe de uma milícia que atua na zona oeste do Rio.

Em seu depoimento, "Ferrerinha", como é apelidado o policial, apontou o vereador Marcelo Sicilliano (PHS) e Curicica como mandantes do assassinato da vereadora filiada ao PSOL. Ele afirma ter testemunhado reuniões em que ambos planejaram o atentado. Marielle Franco estaria atrapalhando negócios ilegais de Sicilliano.

Após a divulgação do depoimento do PM, Curicica e Siciliano negaram a autoria do crime.

Curicica, que estava preso no Rio, foi transferido para o presídio federal de Mossoró (RN). Lá, ele prestou depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) no qual afirmou que a Polícia Civil do Rio tentou lhe convencer a assumir a morte de Marielle e revelou um suposto esquema de corrupção na DH que barraria investigações sobre homicídios ligados ao jogo do bicho e às milícias.

O depoimento de Curicica foi a "peça-chave" para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinasse que a entrada da PF no caso. Ferreirinha, a advogada e pelo menos outras cinco pessoas foram investigadas, entre elas o ex-deputado Domingos Brazão, adversário eleitoral de Sicilliano.

A investigação sobre as mortes de Marielle e Anderson continuam na DH. O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz foram presos em março sob acusação de terem executado o atentado.

Até o presente momento, nem a investigação da PF e nem a da Polícia Civil apontaram os mandantes do duplo assassinato.

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