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Estados Unidos formalizam apoio de entrada do Brasil na OCDE

2019-05-23T14:11:36

23/05/2019 14h11

A delegação americana na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) confirmou o apoio à entrada do Brasil na entidade. Desde que Brasília oficializou o pedido de ingresso, em 2017, Washington bloqueava os planos do país, por se opor à abertura da OCDE a novos membros.

A delegação americana na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) confirmou o apoio à entrada do Brasil na entidade. Desde que Brasília oficializou o pedido de ingresso, em 2017, Washington bloqueava os planos do país, por se opor à abertura da OCDE a novos membros.

Porém, a postura mudou depois de o presidente Donald Trump prometer a Jair Bolsonaro que os Estados Unidos aceitariam o Brasil. Em troca, o país se comprometeu a abrir mão do tratamento especial do qual se beneficiava na OMC (Organização Mundial do Comércio), enquanto economia em desenvolvimento.

O tema do ingresso de novos membros na OCDE foi discutido na reunião ministerial da entidade, que se encerrou nesta quinta-feira (23), em Paris. O governo brasileiro reconhece que havia dúvidas se o anúncio de Trump se traduziria em uma mudança formal da posição dos Estados Unidos na organização.

Segundo uma fonte brasileira que acompanha as negociações, os americanos disseram que apoiam o Brasil ao lado da Argentina, Romênia e Peru. "A posição está oficialmente modificada aqui na OCDE, dando cumprimento ao que foi combinado", afirmou.

O integrante da comitiva indicou que a confirmação supera as expectativas da delegação e é considerada um avanço importante rumo à entrada do país, embora nenhum calendário tenha sido estipulado. A questão que se coloca agora é se os europeus aceitarão que o Brasil ingresse sem contrapartida, ou seja, sem que outro país europeu também seja aceito - provavelmente a Bulgária. Por enquanto, a ordem de ingresso é Argentina, Romênia e Brasil.

Elogios da OCDE

Se os europeus exigirem que mais um integrante da Europa seja admitido para contrabalancear a entrada do Brasil, a reação dos Estados Unidos é uma incógnita. As negociações nesse sentido foram iniciadas recentemente.

"A questão não é se apoiavam ou não. Creio que já superamos essa etapa. A questão é: como vamos traduzir esse desejo político em instruções específicas para avançar", frisou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, ao ser questionado sobre o assunto. "O que aconteceu agora é que houve novos eventos, novas informações. E, agora, nós vamos começar a discutir de novo e tentar movimentar a agenda."

Gurría voltou a elogiar os avanços do Brasil na preparação da sua candidatura, ao aderir ou se adaptar a uma série de instrumentos previstos pela organização. O governo brasileiro alega já ter incorporado 82% dos 248 itens legais exigidos pela OCDE, dos quais 73 foram validados pela instituição e o restante foi encaminhado para análise ou está prestes a ser enviado.

"Isso significa que quando você tem o início oficial [da adesão], eles vão cortar o processo por todos os esforços que já estão fazendo, afinal todos esses esforços terão de ser feitos de toda forma, ao longo do processo", salientou Gurría.

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