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Agora vai? Xiaomi volta ao Brasil com 'pé no peito' e cercada de dúvidas

do UOL

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

2019-05-23T04:00:00

23/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Apesar de celebrada, volta da Xiaomi ao Brasil ainda deixa dúvidas
  • Fãs já lamentam preços mais altos em relação aos de sites de importação
  • Parceira da Xiaomi, DL dará garantia e assistência, e usa isso como diferencial
  • Empresa ocultou alguns preços e especificações de produtos em evento

A Xiaomi, fabricante de eletrônicos chinesa com uma legião de fãs, realizou nesta terça-feira (21) um evento em São Paulo para apresentar o que trará ao país em parceria com a DL Eletrônicos. Mas quem esteve presente na apresentação saiu com mais dúvidas do que respostas.

Fora do país desde 2016, a Xiaomi ensaiava esse retorno desde fevereiro, quando foi anunciada a parceria com a DL e o início limitado das vendas de dois celulares. Nesta época, a venda dos smartphones acontecia apenas por meio da rede Ricardo Eletro.

Depois, a marca passou os últimos meses usando as redes sociais para atiçar a curiosidade dos brasileiros, pedindo sugestões de produtos e lançando teasers de aparelhos. Os fãs não foram totalmente ludibriados, e o evento em São Paulo serviu para apresentar sete smartphones --ou seja, com cinco modelos novos-- e o que foi chamado, aleatoriamente, de "uma centena" de produtos do ecossistema da marca chegando por aqui.

A estratégia: 'pé no peito' e garantia

O lançamento da Xiaomi não foi humilde e não se limitou a um ou dois celulares, como fez a Huawei recentemente, por exemplo. Além de cinco smartphones, houve a promessa de uma série de produtos eletrônicos e a presença de uma loja própria, o que mostra que a marca entrou aqui com o 'pé no peito' e determinada a ficar.

Aqui vale repetir: a Xiaomi não está vindo ao país por conta própria, como a Huawei. Trata-se de uma parceria comercial com a DL, empresa brasileira que importará oficialmente os produtos chineses. Não haverá fabricação no país.

E aí que entra a primeira questão: os novos aparelhos serão vendidos por preços que podem ser até R$ 1.000 mais caros que os comercializados hoje em marketplaces não oficiais --onde os brasileiros já se acostumaram a comprar.

Por que alguém compraria diretamente da DL então? Porque a Xiaomi pretende oferecer garantia e assistência técnica do produto, coisa que quem compra via marketplace não recebe.

"Sabemos que têm diversos mecanismos de compra, mas o único oficial é via DL. Produtos que não forem comprados pelos canais oficiais não terão garantia local", aponta Luciano Barbosa, chefe do projeto Xiaomi no Brasil.

Com essa diferença de preço, no entanto, a Xiaomi perde um pouco do apelo do custo-benefício. O top de linha Mi 9 na versão com 64 GB, por exemplo, custará R$ 3.999. O valor é apenas R$ 300 mais barato do que o Galaxy S10e com 128 GB. É, ao menos, sensivelmente abaixo do praticado por outros tops de linha da Apple, Huawei e Samsung.

Para justificar os preços, a parceria entre Xiaomi e DL diz que, apesar da margem de lucro "mínima" e da importação em larga escala, existem custos de importação e de operação da empresa no país.

"O projeto prevê importação em grande escala. Sabemos que existem outros canais alternativos de venda, mas queremos atingir um público além dos fãs da marca, os consumidores que gostam de ver o aparelho no varejo", explica Barbosa. "Não posso fazer nada sobre os outros, mas garanto que os produtos vindos terão margem mínima de lucro."

Produtos sem detalhes

O evento que marcou a volta da Xiaomi ao Brasil foi marcado por problemas técnicos, falta de informações e atropelo na comunicação.

Primeiro apresentou os smartphones Mi 9 e Redmi Note 7, com o preço, mas sem dados importantes, como memória. Depois, simplesmente listou todos os cinco outros smartphones que serão vendidos por aqui sem sequer informar o preço --são eles:

  • Redmi Go
  • Redmi Note Pro 6
  • Mi 8 Lite
  • Pocophone F1
  • Redmi 7

Alguns preços foram descobertos apenas graças à rede Pernambucanas, que colocou no seu site os modelos Redmi Go (R$ 699), Redmi 7 (R$ 1.299 a R$ 1.499) e Mi 8 Lite (R$ 2.699). Haverá ainda uma promoção na inauguração da loja: os smartphones Redmi Note 7 e o Mi 9 terão desconto de R$ 400 e R$ 1.200, respectivamente.

Primeiro a Xiaomi explicou que alguns celulares não tiveram o preço definido ainda, mas depois disse que passariam os valores por email a jornalistas.

Foi então que rolou o anúncio de que não só celulares, mas uma "centena" de produtos Xiaomi chegariam ao Brasil. Novamente, sem o detalhamento de quais aparecerão por aqui de fato.

Ao menos ao fim do evento a Xiaomi mostrou alguns produtos que devem chegar por aqui: sete celulares, patinetes elétricos, bicicleta, carregadores, óculos, pulseira, relógio, câmeras de vigilância, lâmpada, escova de dente e outros. Não é pouca coisa, de fato --mas não configura uma centena.

Um dado que vale destacar é que a interface dos celulares será modificada para o Brasil, com recursos que poderão ser únicos do país e também haverá versões adaptadas dos produtos importados.

Uma diferença importante neste ano em relação à experiência de 2015 é que ao menos o cliente terá a oportunidade de ver aparelhos físicos antes da compra, além de contar com mais opções da marca. Para o brasileiro, isso é vital.

Como você poderá comprar

Por fim veio a explicação, em parte, da parte mais nebulosa da volta da Xiaomi ao Brasil. Serão três os canais de venda dos produtos:

  • Loja física: a Xiaomi abrirá sua primeira loja física no Brasil em 1º de junho, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, onde promete colocar todos os produtos para teste.
  • Loja online: os produtos serão vendidos pelo site "mi.com", mas isso ainda não está funcionando.
  • Varejo: os produtos ganham maior presença em lojas físicas. Além da Ricardo Eletro, agora estão nas Pernambucanas e no Magazine Luiza.

A volta da Xiaomi ao país vale sim ser comemorada, mas as coisas precisam ficar mais claras. Ao ser questionado sobre quem estaria por trás da loja física, Barbosa afirmou que não seria a DL, mas sim um empresário que prefere não aparecer. Outro ponto bem nebuloso.

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